Bradesco BBI rebaixa Cogna para neutra após alta de 230% e ação recua na Bolsa
Foto: Divulgação/Cogna
O Bradesco BBI rebaixou a recomendação das ações da Cogna (COGN3) de compra para neutra nesta terça-feira (10), após uma valorização acumulada de cerca de 230% desde a revisão positiva feita em 2024.
A mudança de avaliação foi motivada pela percepção de que o papel passou a ter um potencial de valorização mais limitado, além de perspectivas mais desafiadoras para os resultados à frente. No pregão, os papéis da companhia registraram queda próxima de 3,7% e eram negociados em torno de R$ 3,65 na B3.
Segundo o banco, embora a empresa tenha apresentado avanços operacionais, o nível atual de preço já reflete boa parte dessas melhorias, reduzindo o espaço para novas altas no curto e médio prazo.
Preço-alvo é reduzido para 2026
No relatório, o Bradesco BBI também revisou o preço-alvo da Cogna para o fim de 2026, que passou de R$ 4,80 para R$ 4,20.
A instituição destaca que o ajuste leva em conta uma combinação de múltiplos mais elevados e expectativa de desempenho financeiro mais fraco no quarto trimestre de 2025.
Além disso, os analistas reduziram em cerca de 5% a projeção de lucro da companhia para 2026, ficando abaixo das estimativas médias do mercado.
A avaliação considera um cenário de maior pressão sobre custos e margens, especialmente em segmentos mais competitivos.
Pressão sobre margens pesa na avaliação
Um dos principais pontos de atenção apontados pelo banco é a performance da Kroton, braço educacional da Cogna.
A expectativa é de que a unidade enfrente dificuldades para sustentar margens no curto prazo, o que deve impactar o resultado consolidado da companhia.
De acordo com o BBI, o quarto trimestre de 2025 tende a ser mais desafiador para a empresa, em contraste com concorrentes que apresentam uma dinâmica operacional mais equilibrada neste momento.
Outras empresas seguem recomendadas no setor
Apesar da postura mais cautelosa em relação à Cogna, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para outras companhias do setor educacional listadas na Bolsa.
Yduqs (YDUQ3), Ânima (ANIM3) e Vitru (VTRU3) continuam sendo vistas como alternativas com avaliações mais atrativas e maior potencial de valorização, estimado entre 24% e 56%.
O banco avalia que essas empresas estão melhor posicionadas para enfrentar o atual cenário competitivo e regulatório.
Visão mais cautelosa para o setor educacional
De forma mais ampla, o relatório aponta que o setor de educação deve atravessar um período de crescimento mais moderado nos próximos anos.
A expectativa é de avanço do Ebitda em torno de 6% em 2026, além de riscos adicionais a partir de 2027, quando se encerram regras de transição da nova regulamentação do ensino superior.
Outro ponto destacado é o desempenho das admissões, principalmente nos cursos a distância e no modelo semipresencial.
Enquanto grandes grupos conseguem manter relativa estabilidade, empresas menores apresentam sinais de enfraquecimento, indicando um mercado mais desafiador.
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