Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, ligado a ex-sócio do Banco Master
Medida atinge instituição ligada a ex-sócio do Banco Master por problemas de liquidez
Foto: Divulgação/Banco Pleno
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18), em Brasília, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que já integrou o conglomerado do Banco Master e hoje é controlada por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
A decisão foi tomada após a autoridade monetária identificar deterioração da situação financeira do banco, problemas de liquidez e descumprimento de normas regulatórias. Com a medida, as operações do Banco Pleno são interrompidas e a instituição passa por um processo de encerramento supervisionado.
Segundo comunicado oficial, a liquidação também foi estendida à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa do mesmo grupo.
O Banco Central informou que o conglomerado representa pequena fatia do Sistema Financeiro Nacional, com cerca de 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações.
Por que o Banco Central decretou a liquidação
A liquidação extrajudicial é aplicada quando o Banco Central entende que não há condições de recuperação da instituição.
No caso do Banco Pleno, a autoridade apontou comprometimento da situação econômico-financeira, perda de liquidez e descumprimento de regras que regem o setor bancário.
Na prática, o banco deixa de operar normalmente e passa a ter suas atividades suspensas. As obrigações são antecipadas e um liquidante é nomeado para conduzir o processo, que não tem prazo definido para terminar.
O Banco Central também informou que continuará apurando responsabilidades e que poderá adotar medidas administrativas adicionais, conforme o resultado das investigações.
Relação com o Banco Master
O Banco Pleno tem origem no antigo Banco Voiter. Em 2024, a instituição foi incorporada ao conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Posteriormente, em 2025, o controle foi transferido para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, após aprovação do Banco Central.
Desde então, o banco vinha enfrentando dificuldades para captar recursos no mercado, em meio a questionamentos sobre sua situação financeira.
Antes da liquidação, havia tentativas de encontrar investidores ou compradores para fortalecer a estrutura de capital, mas as negociações não avançaram.
O que acontece com os CDBs e demais investimentos
Com a liquidação do Banco Pleno, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ser responsável por ressarcir clientes que possuem aplicações elegíveis, como CDBs, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, respeitando o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Dados mais recentes indicavam que o banco tinha passivo relevante concentrado em CDBs e letras financeiras. No mercado secundário, esses títulos vinham sendo negociados com taxas elevadas, refletindo a percepção de risco.
O pagamento do FGC é iniciado após o envio, pelo banco liquidado, da lista de credores e valores devidos. Depois da validação das informações, os clientes podem solicitar o ressarcimento por meio de aplicativo indicado pelo fundo, informando dados bancários e documentos necessários.
Impacto para o sistema financeiro
Apesar da repercussão, o Banco Central destacou que o Banco Pleno tem porte pequeno e participação limitada no sistema financeiro. Por isso, a expectativa é de impacto restrito do ponto de vista sistêmico.
Casos de liquidação costumam aumentar a cautela dos investidores, especialmente em relação a bancos de menor porte que oferecem taxas mais altas para captar recursos. Ao mesmo tempo, o mecanismo do FGC funciona como rede de proteção para reduzir perdas de depositantes dentro dos limites previstos.
A decisão reforça o papel do Banco Central na supervisão do sistema financeiro e na atuação preventiva quando identifica risco à solidez das instituições.
Este conteúdo foi útil? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: