USA Rare Earth compra Serra Verde por US$ 2,8 bilhões e reforça disputa por terras raras
Aquisição mira reduzir dependência da China e criar cadeia integrada fora da Ásia
Foto: Peggy Greb/Wikimedia/CC
A USA Rare Earth anunciou a aquisição da brasileira Serra Verde por aproximadamente US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões), em um movimento estratégico no mercado de minerais críticos. A operação foi divulgada nesta segunda-feira (20) e ainda depende de etapas regulatórias, com previsão de conclusão no terceiro trimestre.
A transação envolve o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias. O cálculo foi baseado no preço de fechamento de US$ 19,95 por ação em 17 de abril.
Ativo estratégico fora da Ásia
A Serra Verde é responsável pela mina e planta de processamento Pela Ema, localizada em Goiás. O ativo é considerado estratégico por ser o único fora da Ásia capaz de produzir, em escala comercial, quatro dos principais elementos magnéticos de terras raras.
Esses elementos — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — são fundamentais para diversas indústrias, incluindo veículos elétricos, equipamentos militares e semicondutores. Além disso, fazem parte do grupo de minerais estratégicos, que inclui também lítio, nióbio e cobalto.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a operação da Serra Verde ocupa uma posição única fora do domínio asiático nesse mercado.
Movimento ocorre em meio à disputa com a China
A aquisição acontece em um momento de intensificação da busca global por alternativas à China, que domina a cadeia de produção de terras raras.
A USA Rare Earth destacou que a operação conta com apoio do governo americano e inclui um contrato de longo prazo para comercialização da produção inicial. O acordo prevê a venda de 100% dos elementos extraídos por 15 anos, com preços mínimos definidos, reduzindo a exposição a oscilações do mercado.
Estratégia mira integração vertical
Com a compra, a empresa pretende construir uma cadeia completa fora da Ásia, abrangendo desde a mineração até a produção de ímãs permanentes.
A companhia projeta que a operação combinada pode gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, embora esse resultado dependa da execução dos projetos e das condições de mercado.
Em comunicado, a empresa destacou que a união permitirá acesso a tecnologias avançadas de separação, processamento e metalurgia, além de parcerias estratégicas nos Estados Unidos e em países aliados.
A Serra Verde iniciou sua produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a operação alcance capacidade plena até 2027, com possibilidade de expansão nos anos seguintes.
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