Acordo Mercosul–UE zera tarifas de 80% das exportações brasileiras e amplia acesso ao mercado europeu

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor com a eliminação de tarifas para mais de 80% das exportações brasileiras.

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30 de abr, 2026 às 06:30
Duas bandeiras hasteadas lado a lado sob um céu azul limpo: à esquerda, a bandeira branca do Mercosul, e à direita, a bandeira azul com estrelas douradas da União Europeia. Imagem gerada por Inteligência Artificial

O acordo Mercosul–UE entra em vigor nesta sexta-feira (1º) e marca um avanço histórico para o comércio exterior brasileiro. Na prática, o tratado entre o Mercosul e a União Europeia elimina tarifas de importação sobre mais de 80% das exportações do Brasil ao bloco europeu já nesta fase inicial. A medida deve reduzir custos, aumentar a competitividade das empresas nacionais e ampliar a presença de produtos brasileiros em um dos mercados mais relevantes do mundo.

Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria, mais de 5 mil produtos passam a entrar na Europa sem cobrança de tarifas. O acordo Mercosul–UE, portanto, inaugura uma nova etapa nas relações comerciais entre os blocos, com potencial de impacto direto sobre diversos setores da economia.

Saiba mais:

O principal efeito imediato do acordo Mercosul–UE é a retirada de barreiras tarifárias que, até então, encareciam os produtos brasileiros no mercado europeu. Com a mudança, empresas passam a exportar com menor custo, o que tende a tornar seus produtos mais competitivos frente a concorrentes internacionais.

Hoje, muitos itens produzidos no Brasil enfrentam taxas ao entrar na Europa, o que reduz margens e dificulta a expansão das vendas. Com o acordo Mercosul–UE, esse cenário começa a mudar de forma significativa, permitindo que companhias ampliem sua atuação no exterior.

Além disso, o tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Esse fator amplia o potencial de crescimento das exportações brasileiras no médio e longo prazo.

Indústria lidera ganhos com o acordo

Entre os 2.932 produtos que terão tarifas zeradas já no início do acordo Mercosul–UE, cerca de 93% são bens industriais. Isso indica que a indústria brasileira deve ser a principal beneficiada neste primeiro momento.

Setores como máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos químicos e materiais elétricos aparecem entre os mais favorecidos. No caso específico de máquinas, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa, o que representa um ganho relevante de competitividade.

O segmento de alimentos também se destaca, com centenas de itens contemplados. A redução de tarifas pode abrir espaço para maior presença de produtos brasileiros nas prateleiras europeias, especialmente em nichos onde o país já possui competitividade.

Setores estratégicos ampliam presença no mercado europeu

O acordo Mercosul–UE beneficia diretamente setores-chave da economia brasileira. Entre os destaques estão:

  • Máquinas e equipamentos
  • Alimentos e produtos agroindustriais
  • Metalurgia
  • Materiais elétricos
  • Produtos químicos

Esses segmentos já possuem participação relevante nas exportações e tendem a ganhar ainda mais espaço com a redução das tarifas. A expectativa é de aumento gradual no volume exportado, impulsionado pela melhora nas condições de acesso ao mercado europeu.

Acordo amplia inserção global do Brasil

Outro ponto central do acordo Mercosul–UE é o impacto na inserção internacional do Brasil. Atualmente, países com os quais o Brasil possui acordos comerciais representam cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia, esse número pode superar 37%.

Esse salto reforça a importância estratégica do tratado, que não apenas amplia o acesso a mercados, mas também fortalece a posição do país no comércio global. Além disso, o acordo estabelece regras mais claras e previsíveis, o que reduz incertezas para empresas exportadoras.

Implementação será gradual em alguns setores

Apesar dos avanços imediatos, o acordo Mercosul–UE prevê uma implementação gradual para determinados produtos considerados sensíveis. Nesses casos, a eliminação de tarifas ocorrerá ao longo do tempo:

  • Em até 10 anos na União Europeia
  • Em até 15 anos no Mercosul
  • Em situações específicas, podendo chegar a 30 anos

Essa transição busca equilibrar os interesses econômicos e permitir adaptação de setores mais expostos à concorrência internacional.