Ações da Novo Nordisk caem 20% após alerta de queda nas vendas

Fabricante do Wegovy prevê pressão inédita sobre preços e margens em 2026

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04 de fev, 2026 às 15:00
Placa com o logotipo da Novo Nordisk em frente a prédio corporativo moderno, com fachada de vidro e iluminação interna visível. Foto: REUTERS/Tom Little

As ações da Novo Nordisk despencaram cerca de 20% nesta quarta-feira (4), após a farmacêutica dinamarquesa alertar para uma forte queda nas vendas e nos lucros em 2025, além de prever pressão inédita sobre preços em 2026.

O movimento ocorreu nos mercados europeus, onde os papéis da companhia atingiram o menor nível em meses, refletindo a reação negativa dos investidores às novas projeções divulgadas pela empresa.

Projeções abaixo do esperado

A Novo Nordisk informou que lucro operacional e vendas ajustadas podem recuar entre 5% e 13% neste ano, considerando taxas de câmbio constantes.

A estimativa surpreendeu o mercado, já que analistas projetavam, em média, uma queda bem menor nas receitas após o crescimento registrado em 2024.

Segundo a empresa, o cenário mais fraco é resultado da redução de preços, especialmente nos Estados Unidos, do aumento da concorrência no mercado de medicamentos para obesidade e do vencimento das patentes do semaglutídeo, princípio ativo dos remédios Wegovy e Ozempic, em alguns mercados fora dos Estados Unidos.

Pressão competitiva no mercado de obesidade

Durante teleconferência com analistas, o presidente executivo da companhia afirmou que a previsão para os próximos anos considera um ambiente de pressão de preços sem precedentes, impulsionado pela entrada de novos concorrentes e por políticas voltadas à redução do custo de medicamentos.

O mercado de tratamentos para obesidade, que impulsionou o crescimento acelerado da Novo Nordisk nos últimos anos, tornou-se mais disputado.

Novas empresas e alternativas terapêuticas ampliaram a oferta, limitando a capacidade de manter preços elevados e margens mais confortáveis.

Efeito em cadeia no setor

A forte queda das ações da Novo Nordisk acabou contaminando outras farmacêuticas ligadas ao segmento de medicamentos para perda de peso, ampliando as perdas do setor no dia.

O movimento reverteu um início de ano positivo, quando os papéis vinham sendo sustentados pelas vendas do Wegovy em sua versão oral.

Apesar do impacto no curto prazo, a empresa destacou que os ajustes fazem parte de uma estratégia para sustentar sua posição no longo prazo, mesmo sem prometer a retomada dos ritmos excepcionais de crescimento observados recentemente.

Contexto de mercado

O episódio reforça a sensibilidade dos investidores a mudanças no cenário regulatório e competitivo do setor farmacêutico.

Em um ambiente de maior controle de preços e disputa acirrada, empresas que lideraram ciclos de forte expansão passam a enfrentar desafios para manter resultados robustos, o que tende a aumentar a volatilidade das ações no curto e médio prazo.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.