Anta Sports compra 29% da Puma e assume posição estratégica na marca alemã
A Anta Sports anunciou a compra de 29,06% da Puma por US$ 1,8 bilhão, tornando-se a maior acionista da fabricante alemã de artigos esportivos.
Foto: Reuters / Abdul Saboor
A Anta Sports compra 29% da Puma em uma operação bilionária que marca um dos movimentos mais relevantes do setor global de artigos esportivos nos últimos anos. A empresa chinesa anunciou nesta terça-feira (27) a aquisição de 29,06% do capital da fabricante alemã, em um negócio avaliado em 1,5 bilhão de euros (cerca de US$ 1,8 bilhão). Com a transação, a Anta se torna a maior acionista individual da Puma, reforçando sua estratégia de expansão internacional e de fortalecimento no mercado europeu.
O acordo foi fechado com a Artemis, holding de investimentos da família Pinault, e ocorre em um momento em que a Puma busca recuperar espaço frente a concorrentes globais como Nike, Adidas e marcas emergentes. Ao mesmo tempo, a operação ajuda o grupo vendedor a reduzir seu nível de endividamento.
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A Anta Sports informou que pagará 35 euros por ação, em dinheiro, pela participação adquirida na Puma. O valor representa um prêmio de aproximadamente 62% em relação ao preço de fechamento das ações da empresa alemã no pregão anterior ao anúncio.
A operação foi realizada na Europa, onde a Puma tem sua sede, mas possui impacto direto no mercado asiático, especialmente na China. A partir do acordo, a Anta passa a exercer influência estratégica sobre a companhia, embora a gestão operacional da Puma permaneça independente.
No mercado financeiro, a reação foi imediata. As ações da Puma chegaram a subir até 17% no início do pregão, encerrando a manhã com valorização mais moderada, mas ainda significativa. Mesmo assim, os papéis seguem próximos dos menores níveis registrados na última década, reflexo das dificuldades recentes da empresa.
Estratégia mira crescimento da Puma no mercado chinês
Um dos principais objetivos da aquisição é acelerar a presença da Puma na China, considerado um dos mercados mais lucrativos para o setor esportivo. Atualmente, o país responde por apenas 7% da receita global da Puma, índice visto como baixo quando comparado a concorrentes internacionais.
Executivos da Anta afirmaram que a companhia pretende aplicar sua experiência local em distribuição, marketing, posicionamento de marca e canais digitais para ampliar as vendas da Puma no país. A expectativa é que a marca alemã ganhe escala e relevância em um mercado altamente competitivo, mas com grande potencial de crescimento.
Essa estratégia está alinhada a outras iniciativas da Anta no país, como já ocorre com marcas de seu portfólio que conseguiram ampliar participação e rentabilidade no mercado chinês.
Aquisição fortalece plano de internacionalização da Anta Sports
A compra da participação na Puma reforça o plano da Anta de se consolidar como uma plataforma global de marcas esportivas, reduzindo a dependência do mercado doméstico chinês. Avaliada em cerca de US$ 27,8 bilhões e listada na bolsa de Hong Kong, a empresa tem histórico de aquisições bem-sucedidas no Ocidente.
A Anta é a maior acionista da Amer Sports, grupo que controla marcas como Salomon, Arc’Teryx e Wilson. Nos últimos anos, a Amer conseguiu reposicionar algumas dessas marcas, com destaque para a Salomon, que expandiu sua atuação no segmento de tênis e lifestyle esportivo.
Além disso, a Anta controla diretamente marcas como Fila, Jack Wolfskin, Kolon Sport e Maia Active, ampliando sua presença em diferentes faixas de preço e perfis de consumidores. A entrada no capital da Puma complementa esse portfólio e aumenta a competitividade internacional do grupo.
Venda ajuda a reduzir dívida da família Pinault
Do lado do vendedor, a operação tem impacto financeiro relevante. A Artemis, holding da família Pinault, utiliza os recursos para reduzir seu elevado nível de endividamento, fortalecendo sua estrutura de capital.
A família Pinault também controla o conglomerado de luxo Kering, dono de marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga. A venda parcial da participação na Puma permite maior flexibilidade financeira em um momento de ajustes no setor global de luxo.
Puma busca recuperação em cenário competitivo
Com receita anual em torno de 3,2 bilhões de euros, a Puma enfrenta desafios para retomar crescimento e rentabilidade. A empresa perdeu espaço nos últimos anos para gigantes consolidados e para marcas mais novas, que têm ganhado relevância junto ao público jovem e no segmento premium esportivo.
A entrada da Anta como maior acionista é vista pelo mercado como uma oportunidade de reposicionamento estratégico, especialmente em regiões onde a Puma ainda tem baixa penetração. Analistas avaliam que a parceria pode acelerar a recuperação da marca, desde que a expansão ocorra sem perda de identidade global.
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