Ações da Hermès caem com guerra do Irã e pressionam setor de luxo global
As ações da Hermès recuaram cerca de 9% após a empresa reportar impactos da guerra do Irã nas vendas, especialmente no Oriente Médio e no turismo europeu.
Imagem: Benjamin Girette/Bloomberg
As ações da Hermès caem com guerra do Irã e acendem um alerta no mercado global de luxo. Nesta quarta-feira, a tradicional grife francesa reportou impactos diretos do conflito no Oriente Médio sobre suas vendas, além de efeitos indiretos no turismo europeu — um dos principais motores de consumo da marca. O movimento surpreendeu investidores que apostavam em uma retomada mais consistente do setor em 2026.
A queda de cerca de 9% nos papéis reflete não apenas resultados abaixo do esperado, mas também um cenário mais amplo de incertezas geopolíticas, valorização cambial e desaceleração no fluxo de consumidores internacionais.
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O principal fator por trás do recuo das ações da Hermès foi a desaceleração brusca nas vendas ao longo de março, após um início de ano positivo. A companhia informou que o conflito envolvendo o Irã reduziu significativamente o movimento em centros estratégicos de consumo de luxo.
Cidades como Paris e London registraram menor presença de turistas internacionais, impactando diretamente as vendas em lojas físicas. O turismo de alto padrão é um dos pilares do desempenho da Hermès, especialmente para itens icônicos como bolsas, acessórios e perfumes.
Impacto direto no Oriente Médio e centros de luxo
O Oriente Médio, que vinha sendo a região de crescimento mais acelerado da empresa, sofreu uma reviravolta significativa. As vendas caíram 6% no primeiro trimestre, com a receita recuando para 160 milhões de euros.
Em Dubai, um dos principais polos de consumo de luxo do mundo, centros comerciais registraram queda de até 40% nas vendas durante março. O impacto foi imediato, refletindo tanto a instabilidade regional quanto a menor circulação de turistas.
Apesar de representar uma fatia relativamente pequena do faturamento total, a região era vista como estratégica para a expansão futura da marca.
Resultado abaixo do esperado pressiona mercado
Os números divulgados pela Hermès ficaram aquém das projeções de analistas. O crescimento de 5,6% nas vendas ajustadas pelo câmbio não atingiu a expectativa de 7,1%, reforçando o impacto negativo do cenário global.
Além disso, a receita total apresentou leve queda de 1%, somando 4,07 bilhões de euros no trimestre. O resultado evidencia que nem mesmo empresas consideradas resilientes estão imunes a choques externos
Euro forte e energia agravam cenário
Outro fator relevante foi a valorização do euro, que reduziu em cerca de 290 milhões de euros a receita da empresa no período. Para marcas globais, o câmbio tem impacto direto na competitividade e no resultado consolidado.
Além disso, o aumento dos preços de energia — influenciado pelo conflito — afetou a confiança dos consumidores, especialmente em mercados mais sensíveis a custos e inflação.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que as ações da Hermès caem com guerra do Irã, mesmo diante de uma base sólida e estratégia de exclusividade.
Mudança brusca no desempenho ao longo do trimestre
Segundo o diretor financeiro Eric du Halgouet, o desempenho da empresa sofreu uma inflexão clara:
Os meses de janeiro e fevereiro registraram crescimento de dois dígitos, mas março trouxe uma desaceleração abrupta.
A declaração reforça como eventos geopolíticos podem impactar rapidamente setores dependentes de mobilidade internacional e confiança do consumidor.
Desempenho por região mostra contraste
Enquanto algumas regiões enfrentaram dificuldades, outras apresentaram desempenho mais positivo:
- França: queda de 2,8%, afetada pela redução do turismo
- Ásia: crescimento de 3,5%, com impacto em viagens, especialmente em Singapore e Bangkok
- Estados Unidos: alta expressiva de 17,2%
Os dados mostram um cenário heterogêneo, com mercados mais resilientes compensando parcialmente as perdas em regiões afetadas pelo conflito.
Setor de luxo em alerta
A Hermès é conhecida por sua estratégia de controle de produção e exclusividade, o que historicamente a torna mais resistente a crises. Ainda assim, o atual cenário demonstra que fatores externos, como guerras e instabilidade econômica, podem afetar até mesmo as marcas mais sólidas.
Diante disso, o mercado passa a reavaliar as perspectivas para o setor de luxo em 2026, especialmente em relação à dependência do turismo internacional e à sensibilidade a eventos geopolíticos.