PSOL aciona PGR contra Nikolas Ferreira por montagem que sugere sequestro de Lula

O PSOL acionou a Procuradoria-Geral da República contra o deputado Nikolas Ferreira após a publicação de uma montagem que sugere a prisão do presidente Lula por agentes dos Estados Unidos.

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Última atualização:  06 de jan, 2026 às 15:43
Nikolas Ferreira de terno em frente a um microfone. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O PSOL aciona a PGR contra Nikolas Ferreira após a divulgação de uma montagem nas redes sociais que sugere a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por agentes dos Estados Unidos. A iniciativa ocorre em meio à intensificação da crise diplomática na América do Sul, provocada pela invasão da Venezuela e pela captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, e amplia o embate político entre direita e esquerda no Brasil neste início de ano eleitoral.

A representação foi protocolada na última segunda-feira, em Brasília, pelo ex-presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, e pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Os autores pedem a abertura de investigação contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por suposta afronta à soberania nacional e às instituições democráticas.

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A medida adotada pelo partido tem como base uma postagem publicada no sábado pelo parlamentar bolsonarista em suas redes sociais. Na publicação, Nikolas compartilhou uma imagem manipulada em que o presidente Lula aparece sendo detido por agentes norte-americanos.

A montagem reproduz o enquadramento de uma fotografia que circulou após a captura de Nicolás Maduro, episódio ocorrido durante a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Para o PSOL, a associação visual e simbólica entre os dois presidentes ultrapassa o campo da crítica política e passa a sugerir ingerência estrangeira contra o Brasil.

Confira a montagem:

*Postagem de Nikolas Ferreira

PSOL aciona PGR contra Nikolas Ferreira e aponta ataque à soberania

Na representação encaminhada à PGR, os dirigentes do PSOL afirmam que a conduta do deputado configura estímulo indireto à violação da ordem constitucional brasileira. Segundo o documento, ao sugerir a prisão do chefe do Executivo por forças estrangeiras, o parlamentar atenta contra princípios fundamentais da soberania nacional.

“É flagrante que Nikolas Ferreira tem insinuado apoio a uma eventual ingerência do Estado norte-americano sobre a ordem institucional democrática brasileira”, argumentam Medeiros e Valente no texto enviado ao órgão.

O partido sustenta que manifestações dessa natureza não estariam protegidas pela imunidade parlamentar, por extrapolarem a liberdade de expressão e colocarem em risco a estabilidade democrática.

Crítica à imunidade parlamentar e pedido de investigação

Juliano Medeiros afirmou que a iniciativa busca estabelecer limites claros ao discurso político, especialmente quando envolve autoridades eleitas e relações internacionais. Para ele, a naturalização de imagens que sugerem sequestro ou prisão do presidente da República por outro país é grave e exige resposta institucional.

“Ninguém está acima da lei. Nenhum parlamentar pode se valer do mandato para defender ou sugerir o sequestro do presidente do Brasil ou uma invasão estrangeira”, declarou Medeiros. Segundo ele, o objetivo da ação é impedir que esse tipo de retórica se torne recorrente no debate público.

O PSOL pede que a PGR avalie se houve prática de crime contra o Estado Democrático de Direito, além de eventual incitação a atos hostis por potências estrangeiras.

Crise na Venezuela reacende disputa política no Brasil

O episódio ocorre em um contexto de forte tensão geopolítica, após os Estados Unidos promoverem a invasão da Venezuela e anunciarem a captura de Nicolás Maduro. A ação provocou reações internacionais e reacendeu debates sobre soberania, autodeterminação dos povos e limites da intervenção externa.

No Brasil, o tema rapidamente foi incorporado ao embate político interno. Parlamentares e lideranças alinhadas ao bolsonarismo passaram a explorar a relação diplomática entre o governo Lula e o regime venezuelano, enquanto setores da esquerda denunciaram a ofensiva americana.

Ano eleitoral intensifica embates entre direita e esquerda

Com a proximidade das eleições, a política externa passou a ocupar papel central na disputa narrativa entre os campos ideológicos. Governadores e parlamentares de oposição tentam associar Lula a regimes autoritários da região, enquanto aliados do governo reforçam o discurso de defesa da soberania nacional e do multilateralismo.

Nesse cenário, o episódio envolvendo Nikolas Ferreira tornou-se mais um capítulo da chamada guerra digital, marcada pelo uso de imagens, montagens e publicações de forte impacto simbólico nas redes sociais.

A expectativa agora é sobre a posição da Procuradoria-Geral da República diante da representação. O desfecho do caso pode estabelecer precedentes importantes sobre os limites da atuação parlamentar nas redes e sobre o uso político de crises internacionais no debate doméstico.

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