XP quer dobrar de tamanho até 2033 e alcançar R$ 4 trilhões sob custódia
A XP pretende praticamente dobrar de tamanho até 2033 e alcançar R$ 4 trilhões em ativos sob custódia.
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A XP até 2033 tem uma meta ambiciosa: praticamente dobrar de tamanho, alcançar aproximadamente R$ 4 trilhões em ativos sob custódia e conquistar a liderança do mercado brasileiro de investimentos. O plano foi apresentado durante a abertura da Expert XP, principal evento da companhia, que reúne cerca de 55 mil participantes, e envolve a expansão dos negócios de investimentos, crédito, banco de atacado e serviços financeiros.
A estratégia foi detalhada pelo CEO da XP, Thiago Maffra, e pelo CEO do Banco XP, José Berenguer. Segundo os executivos, a companhia pretende elevar sua participação no mercado de investimentos dos atuais 11% para cerca de 20% até 2033.
O crescimento deverá ocorrer por meio da diversificação dos negócios e de uma mudança na relação com os clientes. A XP quer deixar de ser vista apenas como uma plataforma de investimentos e avançar para um modelo baseado em planejamento financeiro, aconselhamento e oferta integrada de serviços.
XP até 2033: companhia entra em uma nova fase de crescimento
De acordo com Thiago Maffra, a XP vive atualmente uma “terceira onda” de sua trajetória.
A empresa começou sua atuação com foco em educação financeira e corretagem. Depois, transformou-se em uma plataforma de investimentos com uma ampla oferta de produtos. Agora, a companhia pretende avançar para uma nova etapa, na qual os serviços financeiros e o relacionamento de longo prazo com os clientes terão papel central.
A estratégia da XP até 2033 é baseada na ideia de que o cliente precisa receber soluções para diferentes necessidades financeiras em um mesmo ecossistema. Isso inclui desde a gestão de investimentos até decisões envolvendo crédito, aposentadoria, sucessão patrimonial, planejamento tributário e aquisição de imóveis.
Para a companhia, o diferencial competitivo não estará apenas na quantidade de produtos disponíveis, mas na capacidade de compreender os objetivos financeiros de cada cliente e oferecer soluções mais adequadas para diferentes momentos da vida.
Meta é elevar participação no mercado de investimentos
A XP estima que possui atualmente cerca de 11% de participação no mercado brasileiro de investimentos. A ambição é chegar a aproximadamente 20% até 2033 e assumir a liderança do setor.
Esse avanço faz parte do objetivo de alcançar cerca de R$ 4 trilhões em ativos sob custódia. Para isso, a empresa pretende continuar crescendo tanto no segmento tradicional de investimentos quanto em áreas que passaram a fazer parte de sua estratégia nos últimos anos.
A companhia já ampliou sua presença em setores como crédito, seguros, câmbio, cartões, conta digital, investimentos internacionais e banco de atacado.
Além disso, a XP passou a investir em soluções direcionadas ao mercado empresarial, incluindo serviços de adquirência e ferramentas de gestão financeira para pequenas e médias empresas.
A expansão dessas áreas deve reduzir a dependência da empresa em relação às receitas geradas exclusivamente pela intermediação de investimentos.
Assessores devem assumir papel mais amplo na vida financeira dos clientes
Uma das principais mudanças previstas na estratégia da XP até 2033 envolve o papel dos assessores de investimentos.
A companhia quer que esses profissionais ampliem sua atuação e deixem de ser vistos apenas como responsáveis pela apresentação ou distribuição de produtos financeiros.
A proposta é que o assessor acompanhe diferentes decisões relacionadas ao patrimônio do cliente e funcione como uma espécie de gestor da vida financeira do investidor.
Entre as áreas que podem fazer parte desse relacionamento estão a escolha de investimentos, contratação de crédito, planejamento da aposentadoria, compra de imóveis, organização patrimonial e sucessão familiar.
Para Thiago Maffra, o assessor deve se tornar uma espécie de “gerente financeiro” do cliente, com uma atuação mais próxima e abrangente.
Essa mudança é considerada fundamental para o plano de crescimento da companhia, já que a XP pretende fortalecer os vínculos de longo prazo com os investidores.
Banco XP deve ganhar importância na estratégia
A expansão do Banco XP é outro dos principais pilares do plano.
José Berenguer afirmou que existem clientes com volumes expressivos investidos, mas que ainda recorrem a outras instituições financeiras quando precisam de crédito pessoal.
Em alguns casos, segundo o executivo, esses clientes podem pagar juros entre 4% e 6% ao mês em determinadas operações.
A XP pretende aproveitar sua estrutura financeira e as informações disponíveis sobre o relacionamento com os clientes para oferecer alternativas de crédito mais integradas ao patrimônio de cada investidor.
A lógica é combinar investimentos e serviços bancários em uma única experiência. Com isso, a empresa espera aumentar a utilização de seus produtos e ampliar a participação do Banco XP nos resultados do grupo.
ETFs e investimentos internacionais devem crescer
Entre as oportunidades identificadas pela companhia estão os ETFs e os investimentos no exterior.
A XP vem ampliando a oferta de ETFs próprios e de outras instituições, mantendo o modelo de plataforma aberta. A expectativa é que esses produtos ganhem espaço à medida que os investidores busquem maior diversificação de suas carteiras.
A empresa também espera um aumento gradual da parcela do patrimônio dos brasileiros investida no exterior.
Atualmente, a recomendação média da XP é que aproximadamente 15% do patrimônio dos investidores seja mantido fora do país. Na prática, porém, essa participação está em torno de 7%.
A plataforma internacional da companhia busca facilitar o acesso a contas, remessas e serviços financeiros no exterior, integrando essas operações à experiência dos clientes no mercado brasileiro.
CDI ainda concentra a maior parte do dinheiro novo
Apesar da busca por diversificação, o comportamento dos investidores continua fortemente influenciado pelo nível elevado dos juros.
Segundo José Berenguer, aproximadamente 90% do dinheiro novo que entra atualmente na XP é direcionado para produtos com liquidez diária atrelados ao CDI ou para títulos isentos.
Para a empresa, essa concentração pode representar um desafio para investidores que possuem objetivos financeiros de longo prazo.
A XP pretende estimular uma diversificação gradual para outras classes de ativos, especialmente produtos relacionados à inflação.
A avaliação da companhia é que o investidor precisa considerar não apenas o rendimento nominal, mas também a preservação do poder de compra ao longo dos anos.
Esse conceito é particularmente relevante para objetivos como aposentadoria e formação de patrimônio.
XP aposta em crescimento mesmo diante das eleições de 2026
Questionados sobre os possíveis efeitos das eleições de 2026, os executivos afirmaram que a companhia trabalha com diferentes cenários políticos e econômicos.
A XP não apresentou uma previsão específica sobre o resultado eleitoral ou sobre a política econômica que poderá ser adotada pelo próximo governo.
Para José Berenguer, o debate fiscal deverá continuar entre os principais desafios do Brasil nos próximos anos, especialmente diante da trajetória da dívida pública e da manutenção de juros reais elevados.
Mesmo nesse ambiente de incertezas, a companhia afirma esperar manter um crescimento de receita em ritmo de dois dígitos nos próximos anos.
Diversificação torna a empresa mais resistente a mudanças no mercado
A XP também considera que sua estrutura atual é mais resiliente do que no passado.
Segundo Thiago Maffra, os investimentos representavam praticamente a totalidade das receitas da companhia em uma etapa anterior de sua trajetória. Atualmente, esse segmento responde por aproximadamente 60% dos resultados.
O restante vem de áreas como banco, crédito e outros serviços financeiros.
Essa diversificação é um dos motivos pelos quais a empresa acredita que poderá continuar crescendo mesmo diante de mudanças no cenário econômico, nos juros ou no ambiente político.
O desafio da XP para os próximos anos
A chamada “terceira onda” representa uma transformação importante na estratégia da companhia.
O plano da XP até 2033 não depende apenas da conquista de novos clientes para a plataforma de investimentos. A empresa também quer aumentar a quantidade de serviços utilizados por cada cliente.
Para alcançar R$ 4 trilhões em ativos sob custódia e aproximadamente 20% de participação no mercado, a XP precisará avançar simultaneamente em investimentos, banco, crédito e serviços financeiros.
A companhia também terá o desafio de convencer os investidores a diversificar mais suas carteiras, reduzindo a concentração em produtos atrelados ao CDI.
Ao mesmo tempo, os assessores deverão assumir uma função mais ampla, com maior participação no planejamento financeiro dos clientes.
A estratégia apresentada durante a Expert XP mostra que a companhia pretende competir não apenas pela oferta de produtos, mas pela relação construída com os investidores.
Se conseguir executar esse plano, a XP poderá chegar a 2033 com uma posição muito mais ampla no sistema financeiro brasileiro, atuando como uma plataforma integrada de investimentos e serviços financeiros.