Embraer amplia pedidos em Farnborough e acelera plano para o KC-390

A Embraer anunciou 25 pedidos firmes e 30 opções de compra durante o Farnborough Air Show 2026.

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Última atualização:  23 de jul, 2026 às 14:41
Placa azul com o logotipo da Embraer em letras brancas em destaque. Imagem: Reuters

A Embraer ampliou sua carteira de encomendas durante o Farnborough Air Show 2026, realizado no Reino Unido, e reforçou as perspectivas de crescimento em seus principais segmentos de atuação. A fabricante brasileira anunciou 25 pedidos firmes e 30 opções de compra durante o evento, enquanto também revelou planos para aumentar a produção do cargueiro militar KC-390 nos próximos anos. A movimentação chamou a atenção do Goldman Sachs, que classificou a empresa como um dos principais destaques da feira e manteve sua recomendação de compra para as ações EMBJ3.

O desempenho da Embraer em Farnborough ocorre em um momento de busca por crescimento em diferentes frentes. Além da forte demanda por aeronaves comerciais, a companhia avalia oportunidades para desenvolver novos produtos e pretende ampliar sua capacidade industrial na área de Defesa. O objetivo é aproveitar a demanda de companhias aéreas, clientes de aviação executiva e governos interessados em aeronaves militares.

Embraer conquista novos pedidos durante o Farnborough Air Show

O principal destaque comercial da Embraer durante o evento foi o acordo com o Abra Group. O grupo encomendou 20 jatos E195-E2 e ainda garantiu opções para a compra de outras 25 aeronaves.

A fabricante brasileira também fechou negócios com outras companhias aéreas. A Binter Canarias adquiriu cinco unidades do E195-E2, enquanto a Luxair assinou um pedido por três aeronaves E190-E2. Já a japonesa Fuji Dream Airlines comprou dois jatos E175.

Com os contratos anunciados, a Embraer alcançou 25 novos pedidos firmes e 30 opções de compra durante a feira. O resultado reforça a presença da companhia no mercado de aviação regional e de aeronaves de corredor único, segmento em que a fabricante busca ampliar sua participação global.

A expansão da carteira de pedidos também pode beneficiar a visibilidade da companhia entre investidores. A evolução das encomendas é acompanhada de perto pelo mercado porque influencia as perspectivas de produção, receitas futuras e entregas da fabricante.

Produção do KC-390 deve crescer até 2030

Entre as informações mais relevantes apresentadas durante o evento está o plano da Embraer para aumentar a produção do KC-390, seu principal cargueiro militar.

A empresa pretende alcançar um ritmo de 10 aeronaves produzidas por ano até 2030. Para chegar a esse nível, a previsão é fabricar seis unidades em 2026 e adicionar uma aeronave ao volume anual de produção a cada ano até o fim da década.

A capacidade industrial instalada, segundo a companhia, permite um ritmo ainda maior. As estruturas existentes foram projetadas para suportar a fabricação de até 18 unidades do KC-390 por ano.

Atualmente, a carteira de pedidos do cargueiro militar reúne 42 aeronaves. O crescimento da produção pode fortalecer a divisão de Defesa da Embraer e ampliar a participação do segmento nos resultados da companhia.

O KC-390 é considerado estratégico para a expansão internacional da fabricante, especialmente por atender a demandas de transporte militar e logística de forças armadas. O desempenho dessa área, entretanto, depende de contratos governamentais e de decisões de compra de diferentes países.

Companhia avalia novos aviões e oportunidades de expansão

A Embraer também informou que está analisando possíveis oportunidades para novos produtos. A discussão ocorre após clientes demonstrarem interesse por aeronaves narrowbody mais confiáveis e por jatos executivos com cabines maiores e configurações de três seções.

Apesar das possibilidades, a companhia ressaltou que nenhum projeto foi aprovado de forma definitiva. Também não há, neste momento, um cronograma estabelecido para o desenvolvimento de novas aeronaves.

Antes de tomar decisões, a empresa pretende considerar diferentes fatores estratégicos. Entre eles estão a conclusão do processo de certificação da Eve, subsidiária voltada à mobilidade aérea urbana, a expectativa de retorno sobre os investimentos e a possibilidade de contar com parceiros para financiar novos projetos.

A estratégia indica que a fabricante pretende avaliar cuidadosamente os custos e os riscos antes de assumir novos programas de desenvolvimento. Projetos aeroespaciais exigem investimentos elevados e longos ciclos de desenvolvimento, o que torna a análise financeira um dos principais fatores para a tomada de decisão.

Aviação executiva terá foco em tecnologia e experiência dos passageiros

No mercado de jatos executivos, a Embraer identificou uma busca crescente dos clientes por diferenciação. O design interno das aeronaves e as tecnologias utilizadas para melhorar a experiência dos usuários estão entre os fatores considerados mais importantes pelos compradores.

Para o próximo ano, a companhia pretende priorizar melhorias nos sistemas operacionais dos jatos executivos. A intenção é reduzir a carga de trabalho dos pilotos e tornar a operação das aeronaves mais eficiente.

Outro objetivo é aumentar a padronização dos cockpits entre diferentes modelos da aviação executiva. A estratégia poderá, no futuro, ser estendida também para a aviação comercial.

A uniformização dos sistemas pode facilitar a adaptação dos pilotos entre diferentes aeronaves e contribuir para uma experiência operacional mais integrada dentro do portfólio da fabricante.

Goldman Sachs mantém recomendação de compra para as ações

Após as reuniões realizadas durante o Farnborough Air Show 2026, o Goldman Sachs manteve a recomendação de compra para a Embraer. O banco estabeleceu preço-alvo de US$ 82 por ADR negociado nos Estados Unidos.

A avaliação considera o conjunto dos diferentes negócios da companhia, incluindo as operações de aviação comercial, aviação executiva e Defesa, além da participação na Eve.

Para o banco, a diversificação das atividades representa um dos pontos importantes da tese de investimento. A empresa atua em segmentos distintos do mercado aeroespacial, o que pode permitir diferentes fontes de crescimento ao longo dos próximos anos.

Ainda assim, existem riscos que podem afetar o desempenho da companhia. Entre eles estão o comportamento da demanda por aeronaves comerciais e executivas, a evolução dos negócios da divisão de Defesa no Brasil e as oscilações cambiais.

As variações do câmbio também são relevantes para a Embraer, que possui operações internacionais e exposição a diferentes moedas.

Embraer busca crescimento em várias frentes

Os anúncios realizados em Farnborough mostram que a estratégia da Embraer não está concentrada em apenas um segmento. A companhia ampliou os pedidos de aeronaves comerciais, pretende aumentar a produção do KC-390, acompanha novas oportunidades para produtos futuros e investe em tecnologia para a aviação executiva.

O desafio será transformar a demanda identificada no evento em contratos, entregas e crescimento sustentável. Ao mesmo tempo, a fabricante terá de equilibrar novos investimentos com a necessidade de preservar o retorno financeiro dos projetos.

Com uma carteira de pedidos fortalecida e planos de expansão na área militar, a Embraer encerrou o Farnborough Air Show 2026 com perspectivas positivas para seus negócios. A evolução da produção, o desempenho dos novos contratos e as decisões sobre futuros produtos devem definir os próximos capítulos da estratégia da companhia no mercado aeroespacial global.