Usiminas (USIM5) dispara após balanço e revisões positivas de bancos
A Usiminas (USIM5) registrou forte alta após divulgar resultados acima das expectativas no 1T26 e apresentar um guidance otimista.
Imagem: Reprodução/Site Usaminas
A Usiminas (USIM5) voltou a chamar a atenção do mercado nesta segunda-feira (27), ao registrar forte alta nas ações após a divulgação de resultados robustos no primeiro trimestre de 2026. O movimento ocorre na B3 e reflete não apenas o desempenho financeiro da companhia, mas também uma mudança relevante nas expectativas de analistas, que passaram a revisar projeções e preços-alvo para a siderúrgica. A combinação de lucro mais forte, guidance acima do esperado e um cenário mais favorável para o setor de aço explica a reação positiva dos investidores.
Leia também:
As ações da Usiminas acumulam ganhos expressivos desde a última sexta-feira, quando a companhia divulgou seu balanço do 1T26. Na sessão desta segunda-feira, por volta das 11h31, os papéis avançavam mais de 6%, negociados na faixa de R$ 8, refletindo a leitura positiva do mercado.
O principal fator por trás da alta foi o desempenho operacional acima das expectativas. A empresa reportou crescimento relevante no lucro líquido e apresentou um guidance para o segundo trimestre cerca de 20% superior ao que analistas projetavam anteriormente. Esse conjunto de informações elevou a confiança dos investidores quanto à capacidade da companhia de sustentar resultados mais fortes ao longo do ano.
Além disso, relatórios recentes de instituições financeiras reforçaram o otimismo. O UBS BB elevou seu preço-alvo para R$ 10 e reiterou recomendação de compra, enquanto o Morgan Stanley também revisou suas estimativas, ainda que mantendo uma postura mais cautelosa.
Mudança estrutural impulsiona o setor de aço
Um dos pontos centrais por trás da valorização da Usiminas (USIM5) está em uma transformação recente no mercado brasileiro de aço plano. A implementação de medidas antidumping — que visam combater a concorrência considerada desleal de produtos importados, especialmente da China — alterou significativamente a dinâmica de oferta no país.
De acordo com o UBS BB, essas medidas reduziram entre 15% e 20% da oferta disponível no mercado doméstico. Como resultado, formou-se um desequilíbrio entre oferta e demanda, abrindo espaço para reajustes de preços.
Ainda que parte desse volume seja substituída por importações de outros países asiáticos, os custos tendem a ser mais elevados, com aumentos estimados entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada. Esse cenário favorece empresas locais, como a Usiminas, que passam a operar em um ambiente de maior poder de precificação.
Margens maiores e potencial de valorização
Outro fator relevante para a tese de investimento na Usiminas (USIM5) é a expectativa de expansão das margens. No primeiro trimestre de 2026, a margem EBITDA do segmento de aço atingiu 10,4%, superando previsões anteriores.
Agora, analistas projetam que esse indicador possa alcançar até 14% até 2027. Apesar disso, o mercado ainda precifica margens mais conservadoras, entre 10% e 11%, o que sugere espaço adicional para valorização das ações à medida que novas revisões sejam incorporadas.
A estratégia da companhia também reforça essa perspectiva. A Usiminas tem priorizado rentabilidade em detrimento de volume, buscando maximizar preços enquanto os estoques na cadeia ainda estão elevados — uma normalização esperada para o segundo semestre de 2026.
Projeções otimistas, mas com cautela
Embora o cenário seja positivo, nem todas as instituições compartilham o mesmo nível de otimismo. O Morgan Stanley, por exemplo, elevou suas estimativas de EBITDA para os próximos anos — projetando R$ 2,28 bilhões em 2026 e mais de R$ 3 bilhões até 2028 —, mas manteve recomendação neutra para o papel.
O banco aponta que há riscos importantes no horizonte. Entre eles, a possibilidade de importadores encontrarem formas de contornar as medidas antidumping, o que manteria o fluxo de aço estrangeiro elevado no Brasil. Caso isso ocorra, os preços domésticos podem enfrentar limitações, reduzindo o potencial de expansão das margens.
Outro ponto de atenção é o valuation. Segundo a instituição, as ações da Usiminas já negociam acima da média histórica de cinco anos quando consideradas as projeções de EV/EBITDA para 2026, o que pode limitar ganhos adicionais no curto prazo.