TikTok fecha acordo com investidores americanos e evita banimento nos EUA

O TikTok fechou um acordo para criar uma joint venture com participação majoritária de investidores americanos, reduzindo o controle da ByteDance sobre as operações nos Estados Unidos.

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23 de jan, 2026 às 17:30
Logotipo do TikTok em letras pretas tridimensionais fixado em uma estrutura de concreto cinza sob um céu azul claro. Foto: Reuters

O TikTok evita banimento nos EUA após a ByteDance, sua controladora chinesa, anunciar na última quinta-feira (22) a conclusão de um acordo para a criação de uma joint venture com participação majoritária de investidores americanos. A decisão encerra um impasse regulatório que se arrastava há anos e garante a continuidade das operações do aplicativo no maior mercado consumidor da plataforma.

A nova empresa, chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, terá 80,1% de participação de investidores americanos e globais, enquanto a ByteDance ficará com 19,9%, atendendo às exigências do governo dos Estados Unidos relacionadas à segurança nacional e à proteção de dados de usuários.

O acordo foi aprovado pelos governos dos Estados Unidos e da China, segundo informou um funcionário da Casa Branca à Reuters, e representa um marco na tentativa de manter o aplicativo ativo no país, onde é utilizado por mais de 200 milhões de pessoas.

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O principal objetivo da reestruturação é reduzir a influência chinesa sobre dados, conteúdo e algoritmos do TikTok nos EUA, ponto central das preocupações levantadas por autoridades americanas desde 2020. A legislação aprovada em 2024 previa a proibição do aplicativo caso a ByteDance não promovesse o desinvestimento do controle das operações locais.

Com a nova estrutura, a joint venture passa a ser responsável pela segurança dos dados dos usuários americanos, pela proteção do algoritmo de recomendação e pelo cumprimento de regras rígidas de privacidade, cibersegurança e moderação de conteúdo.

De acordo com a empresa, o algoritmo do TikTok será treinado, testado e atualizado com base exclusivamente em dados de usuários dos EUA, além de ser armazenado na nuvem da Oracle em território americano, uma das principais garantias apresentadas ao governo.

Estrutura societária e principais investidores

O acordo prevê uma composição acionária amplamente dominada por investidores não chineses. Entre os três gestores principais da joint venture, cada um com 15% de participação, estão:

  • Oracle, gigante da computação em nuvem
  • Silver Lake, grupo global de private equity
  • MGX, empresa de investimentos sediada em Abu Dhabi

Além deles, a lista de investidores inclui o Dell Family Office, ligado ao fundador da Dell Technologies, Michael Dell, além de fundos como Alpha Wave Partners, Revolution, Via Nova, Virgo LI e NJJ Capital.

Essa estrutura foi desenhada para garantir independência operacional da nova empresa em relação à ByteDance, especialmente em áreas sensíveis como dados e tecnologia.

Governança e liderança da nova empresa

A TikTok USDS Joint Venture terá uma liderança formada por executivos com experiência no próprio TikTok e no setor de tecnologia. Adam Presser, ex-executivo da plataforma, foi nomeado CEO, enquanto Will Farrell assumirá o cargo de diretor de segurança.

O CEO global do TikTok, Shou Chew, também integrará o conselho da joint venture, mantendo participação estratégica na condução dos negócios, embora sem controle direto sobre os ativos considerados críticos pelo governo americano.

Separação entre tecnologia e operações comerciais

Segundo informações divulgadas anteriormente pela Reuters, a nova joint venture atuará como back-end operacional da empresa americana, ficando responsável pelo gerenciamento de dados, tecnologia e algoritmo. Já uma divisão separada, totalmente controlada pela ByteDance, continuará cuidando das operações comerciais, como publicidade e comércio eletrônico.

Esse modelo prevê que a joint venture receba uma parcela da receita em troca dos serviços tecnológicos e de dados prestados, criando uma relação contratual entre as duas estruturas.

Contexto político e impacto institucional

O acordo encerra uma disputa iniciada em agosto de 2020, quando o então presidente Donald Trump tentou banir o TikTok por meio de ordens executivas, alegando riscos à segurança nacional. Desde então, o tema se manteve no centro do debate político e regulatório nos EUA.

No ano passado, Trump afirmou que o acordo atendia aos requisitos da lei aprovada em 2024 e chegou a adiar a entrada em vigor da proibição. Atualmente, o presidente tem mais de 16 milhões de seguidores no TikTok e já declarou que a plataforma contribuiu para sua reeleição.

A própria Casa Branca lançou uma conta oficial no TikTok, reforçando o peso institucional da rede social no cenário político e comunicacional americano. Para mais informações sobre o impacto político das plataformas digitais, confira nossa reportagem sobre redes sociais e eleições nos EUA (link interno).

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