A agência S&P, responsável pela classificação de risco, confirmou hoje o rating soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira como “BB-“, ainda considerado especulativo, mas alterou a perspectiva de estável para positiva. Isso ocorre devido à expectativa de uma abordagem mais pragmática na política nacional. Uma classificação positiva não era atribuída ao país desde 2019.

Segundo a S&P, a existência de políticas fiscal e monetária mais estáveis pode favorecer o potencial de crescimento econômico do Brasil, que atualmente é baixo. Embora o país ainda apresente grandes déficits fiscais, o crescimento contínuo do Produto Interno Bruto (PIB) e a melhoria na gestão fiscal podem resultar em um aumento menor da dívida governamental em relação às expectativas iniciais.

A agência enfatiza que sua visão positiva baseia-se na implementação contínua de medidas para enfrentar os desafios econômicos e fiscais, o que fortaleceria a resiliência da estrutura institucional brasileira e reduziria os riscos relacionados à flexibilidade monetária e à posição externa do país.

No entanto, a S&P destaca que o rating reflete uma estrutura institucional complexa que apoia maior estabilidade macroeconômica, mas também resulta em uma implementação gradual das políticas. A agência considera que a incapacidade de lidar rapidamente com as deficiências econômicas tem impedido o Brasil de crescer de forma mais acelerada e consistente em relação a outros mercados emergentes em estágio de desenvolvimento similar. Além disso, limita a capacidade do país de lidar com uma estrutura orçamentária rígida, que contribui para déficits fiscais elevados e alta carga de dívida.

A S&P reconhece que as medidas implementadas nos últimos anos ajudaram a conter os riscos à estabilidade macroeconômica causados pelo baixo crescimento e pela dívida pública elevada. A agência destaca que a trajetória de crescimento do PIB e das finanças públicas tem sido melhor do que o esperado, diminuindo o risco de reversão ou má implementação das reformas devido a uma abordagem econômica mais pragmática por parte do governo.

Além disso, a agência ressalta que a posição externa sólida do Brasil, a taxa de câmbio flexível e a política monetária baseada em metas de inflação conduzida por um Banco Central autônomo sustentam os ratings. A S&P espera que o governo de centro-esquerda trabalhe pragmaticamente com um Congresso dividido, mas em sua maioria centrista, para implementar seus planos. A agência espera que o pragmatismo político do governo resulte em uma estrutura estável e previsível para a política monetária, esforços para conter possíveis deslizes fiscais e uma governança eficiente das entidades governamentais, muitas das quais desempenham papéis importantes na economia brasileira.

O que é o rating do S&P?

A classificação de risco (rating) soberano, também chamada de nota de crédito, é a nota dada por instituições especializadas em análise de crédito, chamadas agências classificadoras de risco, a um país emissor de dívida. Essas agências avaliam a capacidade e a disposição de um país em honrar, pontual e integralmente, os pagamentos de sua dívida – ou seja, se há chance de dar um calote.

Equipe MI

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