Crédito privado ainda oferece oportunidades, dizem gestores de SPX, Vinci e Verde no Smart Summit 2026
Executivos discutiram os impactos do cenário macroeconômico e defenderam diversificação e gestão ativa em estratégias de crédito.
Foto: Melhor Investimento
O cenário recente do crédito privado no Brasil foi marcado por episódios de estresse, incertezas macroeconômicas e mudanças nas condições financeiras. Mesmo assim, gestores de grandes casas do mercado veem espaço para oportunidades.
Durante um painel “Cenário para crédito diante do início do processo de flexibilização monetária“, no Smart Summit 2026, representantes da SPX, Vinci e Verde Asset discutiram como o segmento pode continuar relevante para investidores, especialmente com diversificação e gestão profissional das carteiras.
Mercado de crédito vive momento desafiador, mas com oportunidades
Durante o painel, Bruno Spielberg, gestor dos fundos de crédito da SPX, comparou o momento atual do mercado a uma escalada difícil.
Segundo ele, os últimos anos foram marcados por diversos episódios que trouxeram volatilidade ao crédito privado.
“Passamos por três anos bastante conturbados, com eventos relevantes no mercado. Mas acredito que agora começamos a entrar em um momento diferente, com novas oportunidades surgindo”, afirmou.
Ele explicou que fatores como juros ainda elevados, tensões geopolíticas e incertezas políticas continuam influenciando o cenário. Mesmo assim, o ambiente pode ser favorável para gestores que conseguem identificar boas oportunidades.
“Apesar de olhar pelo retrovisor e ver muita turbulência, acredito que temos condições melhores surgindo para operar crédito daqui para frente”, disse.
Diversificação ganha ainda mais importância
Para Gustavo Cortes, sócio e gestor de crédito da Vinci, a diversificação segue sendo uma das principais ferramentas para lidar com momentos de instabilidade.
Segundo ele, eventos macroeconômicos sempre acabam impactando empresas e ativos, o que exige atenção redobrada dos gestores.
“Qualquer evento macro acaba refletindo no micro. Por isso, a diversificação é fundamental, tanto para reduzir risco quanto para estruturar estratégias adequadas ao momento de mercado”, explicou.
Cortes destacou ainda o papel de setores considerados mais resilientes, como infraestrutura. Nesse segmento, ativos como debêntures incentivadas podem oferecer proteção adicional ao investidor.
“Muitas empresas desse setor têm receitas atreladas à inflação e fluxos de caixa bastante previsíveis, o que ajuda a proteger o portfólio em cenários mais desafiadores”, contou.
Crédito estruturado ganha espaço nas carteiras
Já Carlos Reis, da Verde Asset, ressaltou que o crédito estruturado pode desempenhar um papel importante na diversificação de portfólio.
Segundo ele, a estratégia da gestora tem sido buscar ativos com prêmios maiores, mesmo que isso signifique abrir mão de parte da liquidez.
“No investimento existe um equilíbrio entre retorno, risco e liquidez. Muitas vezes é preciso abrir mão de um desses fatores. No nosso caso, abrimos mão de parte da liquidez para buscar retornos mais interessantes com risco adequado”, afirmou.
Ele destacou que a diversificação é essencial para evitar que eventuais problemas em um único ativo comprometam toda a carteira.
“O crédito estruturado pode trazer volatilidade controlada e um retorno interessante para o portfólio do investidor”, disse.
Gestão profissional faz diferença no crédito
Ao longo da conversa, os participantes também reforçaram a importância da gestão profissional no mercado de crédito.
Na visão dos gestores, investir por meio de fundos pode ajudar a reduzir riscos específicos de determinados emissores, além de permitir maior diversificação.
Para eles, em um cenário ainda marcado por incertezas, a combinação entre análise criteriosa, diversificação e gestão ativa tende a ser o principal diferencial para navegar no mercado de crédito privado.
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