Grupo Casas Bahia (BHIA3) registra avanço em vendas online, segundo a XP

Relatório da XP aponta crescimento das vendas impulsionado pelo e-commerce, mas destaca pressão nas margens operacionais da varejista.

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12 de mar, 2026 às 17:00
Casas Bahia (BHIA3) Foto: Reprodução TV em foco

O Grupo Casas Bahia (BHIA3) registrou resultados mistos no quarto trimestre de 2025, com crescimento de receita e geração de caixa livre acima das estimativas, mas com pressão nas margens operacionais e impacto contábil relevante de impairment tributário. A avaliação consta em relatório da XP Investimentos divulgado após a publicação do balanço da varejista.

Segundo os analistas da XP, a companhia superou as projeções de crescimento de vendas, impulsionada principalmente pelo desempenho do e-commerce e pela parceria com o Mercado Livre, mas a rentabilidade operacional ficou abaixo do esperado.

Apesar disso, a corretora manteve recomendação neutra para as ações da empresa enquanto aguarda sinais mais claros de recuperação do lucro líquido após a reestruturação de capital.

Crescimento puxado pelo e-commerce

De acordo com a XP, o volume bruto de mercadorias (GMV) do Grupo Casas Bahia avançou 9% na comparação anual no quarto trimestre, superando as estimativas da casa em cerca de 1,8 ponto percentual.

O principal motor do crescimento foi o canal digital. As vendas online, que incluem operações próprias (1P) e marketplace (3P), cresceram 22% na base anual, representando a expansão mais forte do e-commerce próprio da companhia em 16 trimestres. O desempenho foi sustentado por ganho de participação em categorias consideradas estratégicas, como linha branca, tecnologia e eletroportáteis, além do aumento de tráfego em canais proprietários.

A XP também destacou o impacto da parceria com o Mercado Livre, cuja loja oficial passou a contribuir para o desempenho da companhia no período. Segundo os analistas, cerca de dois meses de operação no marketplace ajudaram a acelerar o crescimento das vendas próprias da varejista.

Já o marketplace da empresa também teve desempenho positivo. O GMV do modelo 3P cresceu 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, com taxa de comissão (take rate) de 12,1%.

Lojas físicas seguem pressionadas

Enquanto o comércio eletrônico apresentou forte expansão, o desempenho das lojas físicas foi mais fraco. O GMV do canal permaneceu praticamente estável em relação ao ano anterior, com crescimento de 2,6% nas vendas nas mesmas lojas (SSS).

Segundo a XP, o resultado foi afetado por uma base comparativa elevada — já que o indicador havia crescido 17% no quarto trimestre de 2024 — além da pressão sobre o poder de compra dos consumidores. O fechamento líquido de 22 lojas ao longo dos últimos 12 meses também contribuiu para limitar o desempenho do canal.

No consolidado, a receita líquida da companhia avançou 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 8,5 bilhões, em linha com as projeções da XP.

Margens menores e prejuízo contábil

Apesar do crescimento das vendas, a rentabilidade operacional veio abaixo do esperado. A XP destacou que a margem bruta ajustada recuou 1,4 ponto percentual na comparação anual, refletindo principalmente o mix de canais e a menor participação de receitas de serviços.

A companhia também registrou uma reversão tributária relacionada ao Difal (Diferencial de Alíquota do ICMS) de R$ 176 milhões no custo de mercadorias vendidas, considerada um efeito não recorrente pelos analistas.

Mesmo com controle de despesas administrativas e operacionais (SG&A), a margem EBITDA ajustada recuou 0,3 ponto percentual, para 7,7%, ficando cerca de 11% abaixo da estimativa da XP.

No resultado final, o Grupo Casas Bahia reportou prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão no trimestre. O resultado foi impactado principalmente por uma baixa contábil de R$ 1,45 bilhão relacionada a ativos fiscais diferidos.

Considerando apenas o resultado ajustado, que exclui efeitos extraordinários, o prejuízo líquido foi de R$ 79 milhões — uma melhora significativa frente à perda de R$ 452 milhões registrada no quarto trimestre do ano anterior.

Geração de caixa e redução da dívida

Um dos pontos positivos destacados pela XP foi a geração de caixa livre (FCF), que atingiu R$ 1,8 bilhão no quarto trimestre, acima das expectativas da corretora.

O desempenho foi favorecido por fatores sazonais e por melhores negociações com fornecedores, possivelmente relacionadas à preparação para eventos de grande demanda, como a Copa do Mundo FIFA.

A companhia também concluiu um importante processo de reestruturação de dívida. A alavancagem líquida caiu de 1,9 vez para 0,4 vez a relação entre dívida líquida e EBITDA no trimestre, impulsionada pela conversão de cerca de R$ 2 bilhões em dívida para capital e por aproximadamente R$ 610 milhões em reduções e descontos em obrigações financeiras.

Segundo a XP, o plano deve gerar uma economia de caixa estimada em R$ 7,7 bilhões até 2030.

Perspectiva ainda cautelosa

Apesar da melhora gradual no desempenho operacional, a XP avalia que o cenário macroeconômico ainda representa um desafio para o varejo físico, especialmente em um ambiente de renda pressionada e consumo mais seletivo.

Além disso, os analistas afirmam que ainda é necessário entender melhor a rentabilidade da parceria com o Mercado Livre e os efeitos da nova estrutura de capital sobre os resultados futuros da companhia.

Por esse motivo, a corretora mantém recomendação neutra para as ações da varejista, aguardando sinais mais consistentes de retorno ao lucro líquido nos próximos trimestres.

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.