Rejeição de Trump atinge 62% e aprovação cai ao menor nível, mostra Reuters
A rejeição de Donald Trump chegou a 62%, enquanto sua aprovação caiu para 36%, o menor nível do mandato, segundo pesquisa Reuters/Ipsos.
Imagem: Reuters/Jonathan Ernst
A rejeição de Donald Trump atingiu 62% e sua aprovação caiu ao menor nível desde o início do atual mandato, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (21) pela Reuters em parceria com a Ipsos. O cenário reflete o impacto direto de decisões recentes do governo, incluindo a guerra contra o Irã e tensões diplomáticas com o Vaticano.
A pesquisa, realizada ao longo de seis dias e concluída na segunda-feira (20), ouviu 4.557 adultos nos Estados Unidos. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Os dados mostram que apenas 36% dos entrevistados aprovam o desempenho de Trump na Casa Branca, repetindo o pior índice já registrado desde janeiro de 2025, quando teve início seu atual mandato.
Rejeição de Trump atinge 62% em meio à crise internacional
O principal destaque do levantamento é a rejeição de Trump, que alcançou 62%, evidenciando um desgaste político crescente. Esse movimento ocorre em um contexto de instabilidade internacional, marcado pela ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos em conjunto com Israel contra o Irã.
Além disso, a escalada do conflito teve efeitos diretos na economia doméstica, sobretudo com a elevação dos preços dos combustíveis. Como resultado, o custo de vida passou a pesar mais no orçamento das famílias americanas — um fator central para a piora na avaliação do presidente.
Impacto da guerra contra o Irã e pressão econômica
A decisão de intensificar a atuação militar no Oriente Médio contribuiu para ampliar a insatisfação popular. A rejeição de Trump também reflete o impacto indireto da guerra, que elevou o preço da gasolina e pressionou a inflação.
Nesse cenário, a aprovação do presidente na gestão do custo de vida caiu para 26%, igualando o pior nível de todo o mandato. O dado indica que a percepção negativa não está restrita à política externa, mas também à condução econômica interna.
Apoio limitado às ações militares
Outro ponto relevante da pesquisa é o baixo apoio popular à ofensiva militar. Apenas 36% dos entrevistados disseram aprovar os ataques ao Irã, número praticamente estável em relação a levantamentos anteriores.
Além disso, somente 26% acreditam que a ação militar “vale os custos”, o que evidencia dúvidas sobre os benefícios estratégicos da operação. Esse ceticismo reforça a tendência de aumento da rejeição de Trump, especialmente em um momento de incertezas globais.
Crise com o Vaticano agrava desgaste
As tensões diplomáticas também contribuíram para o cenário negativo. Declarações recentes de Trump contra o Papa Leão ampliaram a crise com o Vaticano, após críticas do líder religioso à guerra.
O episódio ganhou relevância porque a imagem do pontífice é mais bem avaliada do que a do presidente americano. Segundo a pesquisa, o Papa Leão possui 60% de aprovação, enquanto Trump aparece com 36%, o que aumenta o custo político do confronto.
Dúvidas sobre temperamento e capacidade cognitiva
A rejeição de Trump também está associada a preocupações sobre seu comportamento e sua capacidade cognitiva. O levantamento aponta que apenas 26% dos entrevistados consideram o presidente uma pessoa “equilibrada”.
Além disso, 51% afirmam que sua condição mental piorou ao longo do último ano. Essa percepção é compartilhada por diferentes grupos políticos, incluindo parte dos republicanos, o que evidencia uma erosão de apoio dentro da própria base.
Divisão política e resistência a mudanças na Otan
A pesquisa revela ainda uma divisão significativa entre os eleitores republicanos. Enquanto 53% avaliam Trump como estável, 46% discordam dessa visão. Entre democratas, a rejeição é praticamente unânime.
Outro dado relevante diz respeito à política externa: apenas 16% dos americanos apoiariam uma eventual saída dos Estados Unidos da OTAN, proposta já mencionada pelo presidente em ocasiões anteriores. O número indica resistência da população a mudanças estruturais na atuação internacional do país.