Reajuste de servidores do Congresso vai custar R$ 790 milhões em 2026
Projetos aprovados pelo Congresso ampliam salários e benefícios na Câmara e no Senado e geram impacto orçamentário superior ao gasto discricionário de ministérios inteiros
Divulgação
Os projetos que reajustam salários e ampliam gratificações para servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal devem gerar um impacto de R$ 790 milhões no Orçamento de 2026, segundo estimativas da Lei Orçamentária Anual (LOA). As propostas foram aprovadas em votação acelerada na retomada dos trabalhos do Congresso e agora aguardam sanção presidencial.
O custo total supera, por exemplo, toda a previsão de despesas discricionárias (usadas para manutenção da máquina pública e investimentos) dos Ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial neste ano.
Quanto cada Casa vai gastar com os reajustes
De acordo com dados da LOA de 2026:
- Câmara dos Deputados: R$ 592 milhões
- Senado Federal: R$ 198 milhões
- Total previsto em 2026: R$ 790 milhões
O valor é significativamente maior do que:
- Ministério das Mulheres: R$ 230 milhões
- Ministério da Igualdade Racial: R$ 171 milhões
O que muda nos salários dos servidores do Congresso
Os textos aprovados preveem reajustes anuais próximos de 9%, além de mudanças na estrutura das carreiras e criação de novas gratificações.
Alguns exemplos de evolução salarial até 2029:
- Auxiliar legislativo (início de carreira, Senado):
- Hoje: cerca de R$ 3,3 mil
- Em 2029: R$ 5.863
- Consultor legislativo (nível mais alto):
- Hoje: cerca de R$ 13,7 mil
- Em 2029: R$ 24,1 mil
Além disso, os projetos criam gratificações de desempenho que podem chegar a 100% do salário-base, dobrando a remuneração em determinados casos.
Votação acelerada e surpresa no governo
As propostas foram aprovadas em regime de urgência, poucas horas após entrarem na pauta da Câmara. Como o Senado já havia dado aval anteriormente, os textos seguiram diretamente para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Integrantes do governo afirmam que não foram avisados previamente da votação. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, sustenta que houve alinhamento e que o líder do governo na Casa, José Guimarães (CE), participou da reunião que definiu a pauta.
A ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, declarou publicamente que desconhecia a votação e afirmou ser contrária à ampliação das gratificações.
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