Putin é convidado a integrar Conselho da Paz de Trump para Gaza, diz Kremlin

O presidente russo Vladimir Putin recebeu um convite para integrar o Conselho da Paz de Trump, iniciativa criada pelos Estados Unidos para acompanhar o cessar-fogo entre Israel e Hamas e coordenar a reconstrução de Gaza.

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Última atualização:  19 de jan, 2026 às 10:58
Fotografia em plano médio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, sentado à mesa em um ambiente oficial. Imagem: Pool via REUTERS

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi convidado a integrar o Conselho da Paz de Trump, iniciativa criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de acompanhar o cessar-fogo entre Israel e Hamas e coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza. A informação foi confirmada nesta segunda-feira pelo Kremlin, que afirmou estar analisando os termos da proposta recebida por canais diplomáticos.

O convite, segundo Moscou, ainda não foi aceito formalmente. O governo russo afirma que avalia os detalhes políticos, financeiros e diplomáticos do projeto antes de qualquer decisão. A possível participação de Putin no Conselho da Paz de Trump ocorre em um momento sensível da política internacional e levanta questionamentos sobre os impactos geopolíticos da iniciativa.

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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou à agência estatal russa TASS que Vladimir Putin recebeu oficialmente o convite para integrar o Conselho da Paz de Trump no fim de semana. De acordo com ele, a proposta chegou por meio de canais diplomáticos e está em fase de análise interna pelo governo russo.

“Estamos estudando cuidadosamente todos os detalhes da oferta para ingressar no Conselho da Paz”, disse Peskov. Segundo o porta-voz, Moscou pretende entrar em contato com autoridades americanas para obter esclarecimentos adicionais antes de se posicionar publicamente sobre a adesão.

O Kremlin não informou prazos para a decisão nem se há condicionantes políticas ou financeiras que possam impedir a participação da Rússia no grupo. A avaliação ocorre em meio a tensões persistentes entre Moscou e Washington, sobretudo em razão da guerra na Ucrânia.

O que é o Conselho da Paz de Trump e qual seu objetivo

Criado no fim do ano passado, o Conselho da Paz de Trump é apresentado como um mecanismo internacional voltado à estabilização do conflito no Oriente Médio. O principal foco do organismo é manter o cessar-fogo considerado frágil entre Israel e Hamas, além de supervisionar projetos de reconstrução em Gaza após meses de confrontos intensos.

Segundo fontes diplomáticas citadas pela imprensa internacional, o conselho pretende atuar como uma instância política e financeira, reunindo líderes mundiais e representantes estratégicos para coordenar esforços humanitários, investimentos em infraestrutura e monitoramento da segurança regional.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para ampliar sua influência diplomática global, especialmente em conflitos de grande visibilidade internacional. Outros temas de política externa dos EUA podem ser incorporados futuramente à atuação do conselho.

Trump convida líderes e países para integrar o Conselho da Paz

Além de Vladimir Putin, Donald Trump teria convidado outros líderes internacionais para integrar o Conselho da Paz de Trump. Entre os nomes citados estão o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente da Argentina, Javier Milei.

De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg e pela Associated Press, países como Hungria, Índia, Jordânia, Grécia, Chipre e Paquistão confirmaram o recebimento de convites formais. A composição do conselho ainda está em definição, e novas adesões podem ser anunciadas nas próximas semanas.

No sábado, os Estados Unidos divulgaram a lista do chamado “Conselho Executivo fundador”, que inclui figuras influentes da política internacional, como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado americano Marco Rubio e Jared Kushner, genro de Trump e ex-assessor da Casa Branca.

Participação no Conselho da Paz de Trump pode exigir pagamento bilionário

Um dos pontos mais controversos da proposta envolve a exigência de um aporte financeiro significativo. Segundo um rascunho do estatuto do grupo, citado pela Bloomberg, países interessados em manter assento permanente no Conselho da Paz de Trump teriam de contribuir com cerca de US$ 1 bilhão.

A administração americana ainda não confirmou oficialmente essa condição, mas o valor tem gerado resistência e dúvidas entre potenciais participantes. Analistas avaliam que a exigência pode limitar a adesão de alguns países ou transformar o conselho em um organismo restrito a nações com maior capacidade financeira.

Possível entrada de Putin gera críticas e questionamentos

A inclusão de Vladimir Putin no Conselho da Paz de Trump tende a provocar forte repercussão internacional. O presidente russo lidera uma guerra em curso contra a Ucrânia, conflito que se aproxima do quarto aniversário e já causou centenas de milhares de mortes entre civis e militares.

Especialistas apontam que a participação da Rússia em um conselho voltado à paz pode gerar contradições diplomáticas, especialmente entre aliados europeus dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, defensores da iniciativa afirmam que a presença de grandes potências pode ampliar o alcance político do grupo.

Contexto geopolítico e próximos passos

O convite a Putin ocorre em um cenário de rearranjo das alianças internacionais e de tentativas de mediação em conflitos prolongados. A decisão da Rússia sobre integrar ou não o Conselho da Paz de Trump poderá influenciar o futuro do organismo e a credibilidade da iniciativa no cenário global.

Enquanto isso, a administração Trump segue articulando a estrutura do conselho e buscando apoio internacional. O desfecho da análise russa deve ocorrer após novas rodadas de diálogo diplomático entre Moscou e Washington.

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