Primeiro-ministro do Canadá visita o Brasil em abril após conversa com Lula sobre Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para discutir a crise na Venezuela e os impactos regionais após uma intervenção militar dos Estados Unidos.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O primeiro-ministro do Canadá visita o Brasil em abril após aceitar convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma conversa telefônica realizada na tarde da última quinta-feira (8). O contato entre os dois líderes teve como foco principal a crise na Venezuela, os impactos da instabilidade política na América do Sul e a defesa do multilateralismo diante de ações militares unilaterais.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, trocaram impressões sobre o cenário regional após a recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, considerada pelos dois governos uma violação ao direito internacional. A ligação ocorre em um momento de tensão diplomática no continente e antecede a visita oficial do líder canadense ao Brasil, prevista para abril.
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Durante a conversa, Lula e Carney condenaram de forma explícita o uso da força sem respaldo na Carta das Nações Unidas. De acordo com o comunicado oficial, ambos ressaltaram que ações militares unilaterais fragilizam a ordem internacional e comprometem a estabilidade regional.
O presidente brasileiro reiterou que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu próprio povo, sem interferências externas. Para Lula, a América do Sul precisa permanecer como uma zona de paz, princípio que orienta a política externa brasileira e a atuação do país em fóruns multilaterais.
Essa posição converge com a defesa histórica do Brasil por soluções diplomáticas e negociadas, conforme já destacado em outras manifestações do governo sobre conflitos internacionais.
Intervenção dos EUA motivou reação diplomática
O diálogo entre Brasil e Canadá ocorre poucos dias após uma invasão militar dos Estados Unidos à Venezuela, registrada no último sábado (3). A operação resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, episódio que provocou forte repercussão entre países da América Latina.
O governo brasileiro avalia que a ação norte-americana amplia riscos de instabilidade política e econômica na região, além de abrir precedentes perigosos para a soberania dos Estados nacionais. Esse contexto foi central na conversa entre Lula e Mark Carney, que compartilharam preocupações sobre os desdobramentos do episódio.
Primeiro-ministro do Canadá visita o Brasil em abril e discute acordo comercial
Além do cenário político, o fato de que o primeiro-ministro do Canadá visita o Brasil em abril também tem relevância econômica. Durante a ligação, Carney aceitou oficialmente o convite de Lula para realizar a visita, que deverá incluir reuniões bilaterais e encontros com representantes do governo e do setor produtivo.
Entre os principais temas da agenda está o avanço das negociações para um possível acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá. O governo brasileiro vê a aproximação como estratégica para ampliar mercados, diversificar exportações e fortalecer parcerias fora do eixo tradicional com Estados Unidos e União Europeia.
Atualmente, o Canadá é considerado um parceiro prioritário em negociações comerciais e investimentos, especialmente nas áreas de energia limpa, mineração sustentável e agronegócio.
Defesa da reforma da governança global
Outro ponto abordado na conversa foi a necessidade de reformar as instituições de governança global. Lula e Carney concordaram que organismos multilaterais precisam refletir melhor o equilíbrio geopolítico atual e oferecer respostas mais eficazes a crises internacionais.
O presidente brasileiro tem defendido essa pauta em espaços como a ONU e o G20, argumentando que a falta de representatividade compromete a legitimidade das decisões globais. O alinhamento com o Canadá reforça o discurso brasileiro em favor de um sistema internacional mais equilibrado e cooperativo.
Articulação regional com México e Colômbia
No mesmo dia, Lula também manteve conversas telefônicas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Os diálogos tiveram como eixo central a situação na Venezuela e a necessidade de respostas coordenadas na América Latina.
Na conversa com Sheinbaum, os dois líderes defenderam o multilateralismo, repudiaram a invasão militar dos Estados Unidos e contestaram a visão que busca dividir o mundo em zonas de influência de grandes potências.
Cooperação Brasil–México e agenda futura
Além da crise venezuelana, Lula e a presidente mexicana discutiram os preparativos para uma futura visita de Sheinbaum ao Brasil, ainda sem data definida. Também foi abordada a ampliação da cooperação bilateral no enfrentamento à violência contra as mulheres, tema considerado prioritário pelos dois governos.
A movimentação diplomática reforça o papel do Brasil como articulador regional em um momento de crescente tensão internacional e antecipa uma agenda intensa de encontros bilaterais nos próximos meses.
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