Petro pede extradição de Maduro e eleva tensão com os EUA antes de encontro com Trump
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou aos Estados Unidos a extradição de Nicolás Maduro para que o ex-líder venezuelano seja julgado em território colombiano.
Foto: Reuters / Luisa Gonzalez
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu formalmente aos Estados Unidos a extradição de Nicolás Maduro, movimento que amplia a crise diplomática entre Bogotá e Washington em um momento politicamente sensível. A solicitação ocorre poucos dias antes do primeiro encontro oficial entre Petro e Donald Trump, marcado para a próxima semana, e reacende disputas sobre jurisdição, combate ao narcotráfico e soberania regional.
O pedido foi feito na última terça-feira (27), quando Maduro segue detido em uma prisão de Nova York, após ter sido capturado no início de janeiro, em Caracas, durante uma operação conduzida por forças americanas. O governo colombiano sustenta que o julgamento do ex-líder venezuelano deveria ocorrer na região, sob jurisdição colombiana, argumento que contraria a estratégia adotada pela Casa Branca.
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Ao pedir que os Estados Unidos transfiram Maduro para a Colômbia, Petro coloca no centro do debate a condução do processo judicial contra o ex-presidente venezuelano. Washington enquadra Maduro em acusações relacionadas ao narcotráfico, justificando sua prisão e permanência em solo americano. Já o governo colombiano argumenta que os crimes atribuídos ao venezuelano tiveram impacto direto sobre países da região, o que, segundo Petro, legitimaria um julgamento em território sul-americano.
O gesto é interpretado por analistas como uma tentativa de reafirmação da autonomia regional e, ao mesmo tempo, como um desafio direto à política externa americana.
Visita a Washington ocorre sob clima de forte desgaste bilateral
A iniciativa de Petro acontece às vésperas de sua primeira visita oficial a Washington desde a posse de Trump, um encontro cercado de incertezas. Nos últimos meses, a relação entre os dois governos se deteriorou de forma acelerada, marcada por trocas públicas de acusações e decisões punitivas adotadas pelos Estados Unidos.
O pedido de extradição adiciona um novo elemento de tensão à agenda do encontro, que já era considerada delicada por envolver temas como segurança regional, imigração e cooperação antidrogas. Para diplomatas, a postura colombiana pode endurecer ainda mais o tom das conversas e reduzir as chances de reaproximação no curto prazo.
Prisão de Maduro nos EUA e questionamento sobre jurisdição
Maduro foi levado aos Estados Unidos após uma operação militar autorizada diretamente por Trump, que classificou o venezuelano como peça central de uma rede internacional de tráfico de drogas. Desde então, sua permanência sob custódia americana tem sido alvo de críticas de Petro, que defende uma solução judicial conduzida por países da região.
O presidente colombiano afirma que o julgamento em território americano ignora os impactos diretos que as ações atribuídas a Maduro tiveram sobre a América Latina, especialmente sobre a Colômbia.
Acusações de Trump e retirada da certificação antidrogas
A crise entre Petro e Trump se intensificou ao longo de 2025, quando o presidente americano acusou a Colômbia de tolerar o avanço do tráfico de cocaína com destino aos Estados Unidos. Em declarações públicas, Trump chegou a se referir a Petro como “um homem doente”, elevando o tom da disputa diplomática.
No mesmo período, Washington retirou a certificação dos esforços antidrogas da Colômbia, medida com forte peso político e econômico.
Cancelamento de visto e sanções ampliam o conflito
As tensões se agravaram em setembro, quando o visto de Petro foi cancelado após sua participação em uma manifestação pró-Palestina em Nova York e declarações que incentivaram militares americanos a desobedecer ordens do governo Trump. O episódio foi considerado um ponto de ruptura na relação bilateral.
Em outubro, o conflito ganhou novo patamar quando o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, incluiu Petro, sua esposa, seu filho mais velho e o ministro do Interior, Armando Benedetti, em uma lista associada a investigações sobre tráfico de drogas, lavagem de dinheiro ou terrorismo, conforme a legislação americana.
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