PEC do fim da jornada 6×1 divide Congresso após críticas de Marcos Pereira

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, criticou a PEC do fim da jornada 6×1, afirmando que a redução dos dias de trabalho pode prejudicar a competitividade das empresas e gerar riscos sociais.

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Última atualização:  27 de fev, 2026 às 18:08
O político Marcos Pereira sorrindo, vestindo terno azul e gravata, sentado à mesa do Plenário da Câmara dos Deputados com um microfone à frente. Foto: Divulgação Câmara dos Deputados

Marcos Pereira revelou que discutiu suas preocupações sobre a PEC com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O deputado argumentou que a medida, ao reduzir o número de dias trabalhados, poderia prejudicar a competitividade das empresas brasileiras, principalmente em comparação com economias internacionais mais flexíveis e com custos trabalhistas menores.

“Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, tem que ter lazer, mas ócio demais faz mal”, disse Pereira.

Ele ressaltou que, embora a demanda pela redução da jornada seja legítima, a proposta precisa ser analisada sob o ponto de vista econômico, considerando o impacto na produtividade, no mercado de trabalho e na indústria nacional. Para Pereira, a PEC não levaria em conta o contexto competitivo do Brasil frente a outros países, especialmente no comércio internacional.

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Riscos sociais e desigualdade no uso do tempo livre

Além dos impactos econômicos, o presidente do Republicanos destacou que o tempo livre adicional nem sempre é aproveitado de forma construtiva. Segundo ele, uma jornada menor poderia aumentar a exposição de trabalhadores a problemas sociais, como drogas e jogos de azar, especialmente em regiões com menos oportunidades de lazer, como comunidades periféricas ou áreas rurais do Nordeste.

“Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou no sertão lá do Nordeste?”, questionou Pereira.

Essa análise sugere que a PEC, embora voltada à melhoria das condições de trabalho, precisa considerar as desigualdades regionais e sociais que podem influenciar a forma como os trabalhadores utilizam o tempo extra.

Discussão política em ano eleitoral

Pereira também manifestou preocupação com o momento em que a PEC está sendo discutida. Ele afirmou que votar um tema “muito sensível” em ano eleitoral pode pressionar os parlamentares, que podem ser levados a aprovar ou rejeitar a medida por cálculo político e não pelo mérito da proposta.

“Às vezes até tem que votar [a favor] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra”, disse o deputado.

A discussão sobre o fim da jornada 6×1 envolve não apenas aspectos econômicos e sociais, mas também estratégicos para partidos e deputados em período de campanha eleitoral.

Comparação internacional e desafios da CLT

O deputado do Republicanos ainda criticou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), apontando que a legislação brasileira, apesar de seus méritos, impõe custos elevados às empresas. Ele comparou o Brasil com países da Europa e a China, destacando o “abismo” em termos de competitividade.

“Não dá para comparar o custo trabalhista, o custo da burocracia e tributário daqui com o de lá. Concorrência com a China então, que não tem legislação trabalhista, não tem nada”, afirmou Pereira.

Segundo ele, a redução da jornada só teve sucesso em economias consolidadas com alto PIB per capita, como Alemanha, Finlândia, Islândia e Noruega. Nesses países, a estrutura econômica permite manter produtividade e competitividade mesmo com menos dias trabalhados.

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