Nubank perde posição para o Itaú: ações caem após rebaixamento de recomendação

imagem do autor
Última atualização:  05 de ago, 2024 às 13:54
Nubank perde posição para o Itaú: ações caem após rebaixamento de recomendação

Na sexta-feira (2), o Nubank (ROXO34) viu seu valor de mercado cair abaixo do Itaú Unibanco (ITUB4), marcando a primeira vez desde junho que a fintech perde o título de instituição financeira mais valiosa da América Latina. Esta mudança significativa no cenário financeiro é atribuída a uma série de eventos que afetaram a percepção do mercado sobre o Nubank.

As ações do Nubank sofreram uma queda de 5,2% na Bolsa de Nova York após o UBS BB rebaixar sua recomendação de “compra” para “neutra”. Este foi o segundo rebaixamento em apenas duas semanas, seguindo uma ação similar do JPMorgan. Ambos os bancos destacaram o mesmo motivo para a revisão negativa: a percepção de que o espaço para valorização das ações do Nubank é limitado.

O UBS BB argumentou que a avaliação de mercado do Nubank, que alcançou US$ 57 bilhões na última quinta-feira, já reflete todas as iniciativas atuais da empresa. Em seu relatório, o analista Thiago Batista mencionou que, apesar das oportunidades futuras, como novos produtos e possíveis expansões para novos países, os resultados efetivos desses movimentos levarão tempo para se concretizar.

O relatório do JPMorgan, publicado em julho, também apontou fatores críticos para o rebaixamento. O analista Yuri Fernandes observou que o crescimento do Nubank no segmento de baixa renda no Brasil está diminuindo, o que reduz as opções de expansão para a fintech. Segundo Fernandes, o crescimento nas faixas de renda média ou alta será essencial para sustentar a expansão do Nubank. A falta de um claro caminho para o crescimento sustentado tem preocupado os investidores e analistas de mercado.

Os dados divulgados pelo Banco Central na quinta-feira, 1 de agosto, acrescentaram pressão negativa sobre as ações do Nubank. A porcentagem da carteira de crédito classificada com notas baixas (de E a H) aumentou para 10,2% em maio, comparado a 9,7% no mês anterior. Esse aumento gerou preocupações de que as provisões para inadimplência possam aumentar, o que pode impactar negativamente a expansão da carteira de crédito do Nubank.

Além disso, o índice de inadimplência da carteira de crédito do Nubank subiu para 6,3% no primeiro trimestre, em comparação com 5,5% no mesmo período do ano passado. Essa tendência crescente de inadimplência está gerando preocupações adicionais entre analistas e investidores, que estão observando atentamente a evolução da qualidade dos ativos da fintech.

Embora os dados do Banco Central raramente influenciem diretamente o preço das ações, a recente aversão ao risco do mercado amplificou os efeitos negativos dessas informações. Analistas estão monitorando de perto a qualidade dos ativos do Nubank e a evolução da carteira de crédito nos próximos meses e trimestres.

A falta de foco da empresa na gestão da inadimplência, combinada com os múltiplos altos das ações, está criando um ambiente de menor tolerância do mercado. Pedro Leduc, do Itaú BBA, destacou que, apesar das preocupações com a inadimplência, a tese de investimento no Nubank sempre envolveu mais do que apenas os índices de atraso. No entanto, a pressão crescente para apresentar resultados sólidos em um ambiente de avaliação elevada está testando a capacidade da fintech de manter a confiança dos investidores.