Moraes vota por condenar Eduardo Bolsonaro por difamação contra Tabata Amaral
Ministro do STF propõe pena de prisão e multa; julgamento ocorre no plenário virtual
Créditos: Fotos de O Globo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (17) pela condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
O caso está em julgamento no plenário virtual da Corte, onde os ministros registram seus votos de forma remota. A análise deve seguir até o fim do prazo estipulado, e ainda depende da manifestação dos demais integrantes do tribunal.
No voto, Moraes propôs pena de um ano de detenção, em regime aberto, além do pagamento de multa. A decisão foi baseada em uma publicação feita por Eduardo em rede social, na qual ele sugeriu que um projeto de lei apresentado por Tabata teria como objetivo beneficiar interesses privados.
Entenda o caso
A ação teve origem em uma queixa-crime apresentada por Tabata Amaral em 2021. Na época, Eduardo Bolsonaro afirmou, em postagem pública, que a proposta sobre distribuição de absorventes poderia atender a interesses de uma empresa do setor de higiene pessoal.
Para Moraes, a declaração ultrapassou os limites da crítica política e atingiu a reputação da parlamentar. O ministro entendeu que houve imputação de fato ofensivo à honra, o que caracteriza o crime de difamação, previsto no Código Penal.
Segundo o relator, o alcance das redes sociais amplia o impacto da conduta, o que também foi considerado na análise do caso.
Pontos considerados no voto
Entre os principais elementos citados por Moraes estão:
- A divulgação da acusação em rede social, com grande alcance público;
- A relação direta com a atuação política da deputada;
- A imputação de favorecimento indevido a terceiros;
- O potencial de dano à reputação da parlamentar.
O ministro também destacou que o crime teria sido cometido contra uma agente pública em razão de suas funções, o que pode agravar a situação.
Situação do julgamento
Até o momento, apenas o voto do relator foi apresentado. Os demais ministros do STF ainda precisam se posicionar. O julgamento ocorre no formato virtual, sem debate ao vivo entre os integrantes da Corte.
Durante esse período, algum ministro pode pedir mais tempo para análise ou solicitar que o caso seja levado ao plenário físico, o que mudaria a dinâmica da decisão.
Condição do ex-deputado
Outro ponto mencionado no voto é o fato de Eduardo Bolsonaro estar fora do país. Segundo Moraes, o ex-deputado se encontra em local não confirmado oficialmente, o que dificultaria a eventual substituição da pena de prisão por medidas alternativas.
Em casos de difamação, a legislação permite a conversão da pena em restrições de direitos, dependendo das circunstâncias. No entanto, essa possibilidade pode ser limitada quando o réu não está à disposição da Justiça.
O que é difamação
A difamação é um crime contra a honra previsto no artigo 139 do Código Penal. Ela ocorre quando alguém atribui a outra pessoa um fato que prejudique sua reputação.
A pena pode variar de três meses a um ano de detenção, além de multa. Quando o crime envolve agentes públicos ou ocorre em meios de ampla divulgação, como redes sociais, o entendimento da Justiça pode considerar agravantes.
O resultado final do julgamento dependerá dos votos dos demais ministros do STF. Caso a maioria acompanhe o relator, a condenação será confirmada nos termos propostos ou com eventuais ajustes.
Até lá, o processo segue em andamento, sem decisão definitiva.
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