Minerva (BEEF3) cai 4% após XP rebaixar recomendação e cortar preço-alvo para R$ 7,20
A Minerva (BEEF3) recuou cerca de 4% após a XP Investimentos rebaixar a recomendação da ação de compra para neutro e reduzir o preço-alvo para R$ 7,20 até o fim de 2026.
Foto: Adobe Stock
A Minerva (BEEF3) entrou no radar negativo do mercado após a XP Investimentos rebaixar a recomendação da companhia de compra para neutro e cortar o preço-alvo para R$ 7,20 ao fim de 2026. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (24) e teve reflexo imediato na Bolsa: por volta das 10h39, as ações da Minerva (BEEF3) recuavam 4,26%.
O movimento ocorre após a XP revisar suas projeções e passar a esperar um quarto trimestre de 2025 mais fraco para a companhia. A mudança na avaliação também reflete uma deterioração na relação risco-retorno, em meio ao aumento das incertezas operacionais e macroeconômicas no curto prazo.
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Rebaixamento da Minerva (BEEF3) e corte no preço-alvo
A XP informou que reduziu o preço-alvo da Minerva (BEEF3) de R$ 8,40 para R$ 7,20, mantendo a projeção até o final de 2026. O downgrade para neutro foi justificado pelo menor potencial de valorização das ações diante do novo cenário traçado pelos analistas.
Segundo o relatório, apesar de a tese estrutural da exportação de carne bovina continuar positiva, os riscos no horizonte mais próximo aumentaram. Com isso, a assimetria que antes favorecia uma recomendação de compra já não se sustenta na mesma intensidade.
A reação do mercado foi imediata. As ações da Minerva (BEEF3) figuraram entre as maiores quedas do dia, refletindo a sensibilidade do papel a revisões negativas de expectativa.
Expectativa de 4T25 mais fraco pressiona estimativas
Um dos principais fatores por trás do rebaixamento da Minerva (BEEF3) é a projeção de um quarto trimestre de 2025 mais fraco do que o esperado anteriormente.
A XP revisou suas estimativas e reduziu as projeções de Ebitda:
- Corte de 7% para 2026
- Corte de 6% para 2027
Com isso, as novas estimativas passaram a ficar 7% e 9% abaixo do consenso compilado pela Bloomberg para esses respectivos anos.
Na avaliação dos analistas, o desempenho mais pressionado pode comprometer a geração de caixa e limitar catalisadores relevantes no curto prazo. Para entender como o setor vem reagindo a mudanças de ciclo, veja também nossa cobertura sobre JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
Riscos no radar para a Minerva (BEEF3)
O relatório da XP elenca quatro principais pontos de atenção para a Minerva (BEEF3):
1. Salvaguardas impostas pela China
A adoção de medidas comerciais por parte da China gera incerteza sobre o tratamento das cotas de importação de carne bovina. Como a Minerva tem forte exposição ao mercado externo, qualquer restrição pode impactar volumes e margens.
2. Ambiente doméstico mais fraco no Brasil
O consumo interno abaixo do esperado também pesa nas perspectivas, especialmente em um cenário de renda pressionada e crédito mais restrito.
3. Virada do ciclo do gado
A possível reversão do ciclo pecuário, com tendência de alta nos preços do boi, pode comprimir margens caso a companhia enfrente dificuldade para repassar custos.
4. Risco cambial
Uma eventual valorização do real frente ao dólar reduziria a competitividade das exportações e impactaria receitas em moeda estrangeira.
Segundo a XP, a combinação desses fatores eleva a volatilidade da Minerva (BEEF3) e reduz a visibilidade de resultados no curto prazo.
Minerva (BEEF3): valuation já não é suficiente para compensar os riscos
Mesmo negociando a múltiplos considerados moderados, a XP entende que o valuation da Minerva (BEEF3) perdeu atratividade diante do novo cenário.
Atualmente, a companhia negocia a aproximadamente:
- 4,6 vezes EV/Ebitda projetado para 2026
- 10,8% de yield de fluxo de caixa livre (FCF)
- 8,1% de FCF ao excluir operações de forfait
Para a casa, esses números já não oferecem margem de segurança confortável frente ao aumento dos riscos. Assim, o potencial de re-rating das ações da Minerva (BEEF3) fica limitado no curto prazo.
Tese estrutural segue positiva, mas foco agora é cautela
Apesar do rebaixamento, a XP mantém uma visão construtiva para o cenário estrutural da proteína bovina. A escassez global de oferta e a demanda resiliente em mercados internacionais continuam sendo fatores favoráveis para a Minerva (BEEF3) no longo prazo.
No entanto, no momento atual, o mercado está mais atento aos riscos de curto prazo do que às oportunidades estruturais. O que pesou na decisão da XP foi justamente essa mudança no balanço entre risco e retorno.
Em resumo, a Minerva (BEEF3) enfrenta um ambiente mais desafiador, com projeções revisadas, pressão potencial nas margens e incertezas externas. O rebaixamento da recomendação reforça a necessidade de maior cautela por parte dos investidores enquanto o cenário não apresentar sinais mais claros de melhora.
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