Khamenei reage a protestos, critica Trump e diz que "não vai recuar"

Líder supremo do Irã acusa manifestantes de sabotagem, enquanto atos contra o regime já alcançam a maioria das províncias do país.

imagem do autor
Última atualização:  09 de jan, 2026 às 16:26
Foto da Visita de Ali Khamenei à exposição das conquistas da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica. Imagem: khamenei.ir/Wkimedia Commons/CC

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira (9) que o governo iraniano “não vai recuar” diante da onda de protestos que se espalha pelo país há quase duas semanas. Em discurso transmitido pela televisão estatal, ele também direcionou críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo que o norte-americano se concentre nos problemas internos de seu país.

Em seu primeiro pronunciamento desde a escalada das manifestações no início de 2026, Khamenei classificou os protestos como atos de “vandalismo” e “sabotagem”. Segundo o líder iraniano, parte dos manifestantes estaria agindo para “agradar” o governo dos Estados Unidos.

“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, afirmou líder supremo do Irã.

Crise econômica impulsiona mobilização popular

Durante o discurso do aiatolá , apoiadores do regime entoaram slogans contra Washington, enquanto Khamenei acusou Trump de ter as mãos “manchadas com o sangue de iranianos”, em referência à política externa americana para o Oriente Médio.

Os protestos tiveram início no fim de dezembro, em Teerã, motivados por uma grave crise econômica. No último ano, o rial iraniano perdeu cerca de metade de seu valor frente ao dólar, enquanto a inflação superou a marca de 40% em dezembro.

Com o avanço das manifestações e a repressão das forças de segurança, as reivindicações se ampliaram. Além de demandas econômicas, grupos passaram a pedir abertamente a renúncia de Khamenei, algo raro no país.

Leia também:

Maior onda de protestos desde 2009

De acordo com a agência AFP, manifestações já foram registradas em 25 das 31 províncias iranianas, tornando o movimento o maior desafio ao regime desde os protestos de 2009. Organizações de direitos humanos estimam que mais de 60 pessoas morreram, incluindo integrantes das forças de segurança, embora o número real possa ser maior devido às restrições de informação.

Na quinta-feira (8), o país sofreu um apagão nacional da internet, medida atribuída a uma tentativa de limitar a organização e a divulgação dos atos, segundo a ONG Netblocks.

O atual movimento é considerado o mais significativo desde a morte de Mahsa Amini, em 2022, episódio que também gerou protestos nacionais após a jovem ser detida por suposta violação das regras de vestimenta feminina.

Com o agravamento da crise econômica, a repressão policial e o aumento da pressão internacional, o Irã entra em 2026 sob forte instabilidade política e social.

Reação dos Estados Unidos

Diante da escalada da violência, Trump voltou a se manifestar publicamente. Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos reagiriam de forma dura caso manifestantes pacíficos fossem mortos.

“Se o Irã atirar e matar manifestantes pacíficos, os Estados Unidos virão em seu auxílio. Estamos preparados e prontos para agir”, escreveu o presidente.

Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: 

Instagram | Facebook 

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.