No cenário econômico brasileiro, a inadimplência tem sido um tema recorrente, e os dados mais recentes divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) não são diferentes. Em maio, uma estatística preocupante veio à tona: impressionantes 84,82% das negativações registradas no país foram de devedores reincidentes, aqueles que já tinham figurado no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Aprofundando-se na análise desse fenômeno, descobriu-se que a maioria esmagadora dos devedores reincidentes (60,96%) ainda não havia conseguido quitar suas dívidas antigas até maio. Isso lança luz sobre a persistência do problema e sugere uma possível dificuldade estrutural no processo de reabilitação financeira desses consumidores. Além disso, uma parcela significativa (23,86%) havia temporariamente saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, apenas para retornar posteriormente. Essa alternância entre estar dentro e fora do sistema de inadimplência ressalta a instabilidade financeira enfrentada por muitos brasileiros.

Uma análise mais aprofundada sobre o perfil dos devedores reincidentes revela dados interessantes. A faixa etária de 30 a 39 anos desponta como a mais propensa à reincidência, com uma taxa alarmante de 26,17%. Esse grupo etário, em sua fase produtiva, parece ser particularmente vulnerável às armadilhas financeiras que levam à inadimplência recorrente. Além disso, quando a análise é segmentada por gênero, descobre-se que 53,52% dos reincidentes são mulheres, enquanto os homens representam 46,48%. Essa disparidade de gênero pode estar relacionada a fatores socioeconômicos e comportamentais específicos que influenciam os padrões de endividamento e inadimplência.

Embora os números mostrem uma queda de 11,91% no número de devedores reincidentes nos últimos 12 meses até maio, isso não significa que o problema esteja resolvido. Pelo contrário, o tempo médio entre o vencimento de uma dívida para outra é de 76,1 dias, indicando uma frequência preocupante de reincidência. Isso sugere que, mesmo com uma diminuição aparente no número de devedores reincidentes, a inadimplência continua sendo um desafio persistente para muitos brasileiros.

Julia Peres

Redatora do Melhor Investimento.