Hedge cambial ajuda empresas a se proteger da volatilidade do dólar, diz especialista
Estratégias com derivativos e travas cambiais podem trazer previsibilidade ao caixa e reduzir riscos para companhias com exposição à moeda estrangeira.
Imagem: Melhor Investimento.
Em um ambiente econômico marcado por instabilidade global e oscilações frequentes do câmbio, empresas com compromissos em moeda estrangeira têm buscado alternativas para reduzir riscos financeiros.
Uma das estratégias mais utilizadas é o hedge cambial, mecanismo que permite travar ou limitar os efeitos da variação do dólar sobre receitas e despesas.
Para Luis Dib, head de empresas da Invest Smart, essas ferramentas são essenciais para dar maior previsibilidade ao fluxo de caixa das companhias.
“Uma estratégia que os grandes empresários utilizam — e que a gente tenta trazer de forma mais acessível para todas as empresas — são as operações de proteção, como derivativos ou travas cambiais”, afirmou Dib durante participação no Smart Summit 2026.
A conversa ocorreu no palco do Melhor Investimento do evento, e também contou com a presença do superintende da área de derivativos da BS2, Ricardo Chiumento, e Jaqueline Neo, Head de Câmbio.
Derivativos permitem prever impacto cambial no caixa
Segundo o especialista, a principal vantagem dessas operações é permitir que as empresas saibam previamente qual será o impacto da variação cambial em seus resultados.
“Os grandes empresários já utilizam essa ferramenta como forma de trazer mais previsibilidade para o resultado e para o caixa das empresas”, explicou.
Essas operações são especialmente importantes para companhias que possuem compromissos futuros em moeda estrangeira, como pagamentos de importações ou financiamentos atrelados ao dólar.
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Pequenas empresas ainda usam pouco essas estratégias
Apesar de comuns entre grandes empresas, Dib avalia que pequenos e médios negócios ainda recorrem pouco a essas ferramentas de proteção cambial.
Segundo ele, isso acontece porque muitas empresas menores não possuem uma estrutura financeira especializada para avaliar essas estratégias.
“Os pequenos empresários muitas vezes ficam à mercê do que as instituições financeiras tradicionais oferecem. Nem sempre essas soluções mais customizadas de proteção são discutidas no dia a dia”, afirmou.
Para o executivo, o ideal é que cada empresa tenha uma estrutura de hedge desenhada de acordo com o funcionamento de sua operação.
“É preciso entender toda a dinâmica da empresa, desde o faturamento até o recebimento no caixa, para definir qual estrutura de proteção é mais adequada”, disse.
Exportadoras também precisam de previsibilidade
Dib destacou que a proteção cambial não é importante apenas para empresas que têm dívidas em moeda estrangeira. Exportadoras também podem ser afetadas pela volatilidade do câmbio.
Ele explicou que muitas dessas companhias possuem receitas em dólar, mas custos operacionais em reais. Nesse caso, oscilações cambiais podem alterar margens e comprometer o planejamento financeiro.
“Não dá para o empresário ficar todas as noites torcendo para o dólar subir. O ideal é ter previsibilidade sobre o valor que será recebido ou pago”, afirmou.
Estratégia ajuda no planejamento financeiro
Na avaliação do executivo, empresas que possuem compromissos em moeda estrangeira devem considerar mecanismos de proteção cambial como parte da gestão financeira.
“É vital para qualquer empresa não ficar à mercê da variação cambial”, disse Dib.
Segundo ele, a adoção de hedge permite que as empresas definam previamente o valor em reais de receitas ou despesas futuras, reduzindo incertezas e permitindo um planejamento mais consistente.
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