Governo teme baixa adesão ao vale-gás e estuda ampliar verba do programa em 2026

O governo federal avalia ampliar o orçamento do vale-gás em 2026 após identificar baixa adesão de revendedoras ao programa Gás do Povo.

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Última atualização:  16 de jan, 2026 às 16:04
Uma fileira de botijões de gás de cozinha empilhados em paletes de madeira, alternando entre as cores azul e cinza. Imagem gerada por IA / Nano Banana

O governo federal avalia mudanças no vale-gás, oficialmente chamado de Gás do Povo, diante do receio de que o programa não alcance o público esperado por causa da baixa adesão de revendedores. A iniciativa, considerada estratégica pelo Palácio do Planalto, pode ter o orçamento ampliado em 2026, ano eleitoral, para garantir maior capilaridade e efetividade na distribuição do benefício.

O programa foi criado para substituir o Auxílio Gás e prevê o fornecimento periódico de botijões de gás de cozinha a famílias de baixa renda. A meta inicial é atender até 15 milhões de famílias, mas o ritmo de implementação acendeu um alerta dentro do governo.

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A principal preocupação do Executivo é que o vale-gás não consiga atingir todo o público-alvo devido à adesão voluntária das revendedoras de gás liquefeito de petróleo (GLP). Sem a participação do varejo, o modelo operacional do programa fica comprometido, já que os beneficiários precisam retirar o botijão diretamente em pontos credenciados.

Por isso, técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME) discutem ajustes financeiros para tornar o programa mais atrativo ao setor privado. A proposta está sendo analisada em conjunto com a equipe econômica, em um momento em que o governo também busca reforçar políticas sociais com apelo eleitoral.

Baixa adesão de revendas é o principal entrave ao programa

A adesão das revendedoras ao vale-gás é opcional, e o governo reconhece que esse fator tem limitado a expansão do programa em algumas regiões. O principal ponto de resistência está no valor pago por botijão, que é calculado com base na média de preços estaduais.

Segundo relatos do setor, parte das empresas considera a remuneração insuficiente para cobrir custos operacionais. Além disso, há menções a uma resistência política ao programa em determinados mercados, o que dificulta o credenciamento de novas revendas.

Capitais mostram desigualdade na implementação do vale-gás

Levantamentos internos apontam uma forte disparidade regional na adesão ao programa. Enquanto algumas capitais registram ampla participação das revendedoras, outras ainda apresentam números modestos.

Fortaleza e Salvador aparecem entre os destaques positivos, com mais de 60% das revendas credenciadas. Já cidades como Goiânia e Natal seguem com percentuais abaixo de 50%, o que afeta diretamente o acesso das famílias ao benefício.

Essa diferença preocupa o governo, que pretende expandir o programa para além das dez capitais incluídas na fase inicial.

Setor aponta preço e ICMS como fatores decisivos

Representantes da indústria afirmam que o sucesso do vale-gás depende diretamente da remuneração paga às revendas. Para o presidente do Sindigas, Sergio Bandeira de Mello, a decisão de participar ou não do programa passa por uma análise econômica legítima das empresas.

Um dos fatores que agravaram o cenário foi o aumento do ICMS sobre o gás, que entrou em vigor em janeiro de 2026. A alíquota subiu de R$ 1,39 por quilo para R$ 1,47 por quilo, pressionando as margens do setor.

Para compensar esse impacto, o governo estuda um ajuste específico no programa, com custo estimado em R$ 59 milhões, considerado administrável dentro do orçamento federal.

Orçamento do vale-gás pode subir para R$ 5,8 bilhões

Na proposta original da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, o governo destinou R$ 5,1 bilhões ao vale-gás, valor que foi reduzido pelo Congresso para R$ 4,7 bilhões. Agora, o MME avalia elevar esse montante para R$ 5,8 bilhões, com o objetivo de contemplar todos os beneficiários do Bolsa Família.

Embora o ministério não confirme oficialmente os números, a pasta afirma que trabalha para garantir ampla cobertura territorial e atendimento adequado às famílias de baixa renda.

Governo afirma que cobertura inicial é suficiente

Segundo o Ministério de Minas e Energia, cerca de 1.600 revendas já estão credenciadas nas dez capitais participantes da fase inicial. A pasta afirma que 98% das famílias atendidas têm acesso a um ponto de retirada a até dois quilômetros de casa.

O pagamento às revendedoras é feito pela Caixa Econômica Federal, em até dois dias após a entrega do botijão, o que busca dar segurança financeira ao setor.

Como funciona o vale-gás e quem tem direito

O vale-gás permite que o beneficiário retire um botijão de 13 quilos diretamente em uma revenda autorizada, sem pagamento no ato. A quantidade de recargas varia de quatro a seis por ano, conforme o tamanho da família.

Para participar, é necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) e ter renda familiar per capita de até meio salário-mínimo. Famílias do Bolsa Família e com mais integrantes têm prioridade.

O programa começou a pagar os primeiros benefícios em novembro de 2025 e deve estar totalmente implementado até março, segundo o cronograma oficial.

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