Gabriel Galípolo desponta como favorito para presidência do BC
Gabriel Galípolo desponta como favorito para presidência do BC
Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária do Banco Central e primeiro indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a diretoria da instituição em seu terceiro mandato, emerge como favorito para suceder Roberto Campos Neto na presidência do BC, de acordo com a 55ª edição do Barômetro do Poder, realizado pelo InfoMoney.
Dos participantes, 91% indicaram Galípolo como o possível futuro presidente do BC. Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, foi mencionado por 9% dos entrevistados como uma alternativa.
Os especialistas, no entanto, têm opiniões divergentes sobre o momento em que Lula anunciará o sucessor de Campos Neto, cujo mandato no comando do Banco Central termina em 31 de dezembro deste ano. Para a maioria (73%), a indicação deverá ser feita a partir de outubro. Outros 27% acreditam que o anúncio será antecipado para o terceiro trimestre.
“Com cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), fica mais claro que Galípolo é o escolhido de Lula para o comando do BC. O anúncio, provavelmente em outubro, apenas confirmará as expectativas”, afirmou um analista.
O processo sucessório de Roberto Campos Neto, que está no cargo desde fevereiro de 2019, é acompanhado com atenção pelos agentes econômicos, especialmente em meio às apostas de manutenção dos juros em patamar elevado pelo Federal Reserve, nos Estados Unidos, por mais tempo, e diante das preocupações com os riscos fiscais no Brasil.
O nome de Galípolo é visto pelo mercado financeiro como mais “dovish” do que o de Campos Neto, o que sugere uma política monetária mais flexível nos dois últimos anos do terceiro mandato de Lula.
O Barômetro do Poder também consultou analistas políticos sobre as relações entre Lula e o Banco Central, diante da recente mudança nas expectativas do mercado e dos sinais de membros do BC sobre possíveis ajustes na política monetária. A maioria dos especialistas (75%) prevê poucas alterações no cenário atual nos próximos 6 meses, enquanto 25% antecipam uma deterioração.
“O mercado, por vezes, tende a ser emocional e exagera nas previsões quando enfrenta momentos de ajuste de horizonte. No caso da projeção da taxa Selic, houve uma reação exagerada à mudança na meta fiscal para os próximos anos. No entanto, a inflação dentro da meta tem se mostrado resiliente, e é provável que o Banco Central encerre o ano com a taxa de juros fixada em 9% ao ano”, comentou um analista.