Fim da escala 6x1 pode cortar até 18% do lucro das varejistas, estima XP
O possível fim da escala 6x1 entrou no radar do mercado após análise da XP Investimentos indicar que a mudança pode reduzir em até 18% o lucro líquido médio das varejistas listadas na Bolsa, caso os custos trabalhistas aumentem 10% sem repasse aos preços.
Foto: Divulgação
O possível fim da escala 6×1 entrou no radar do mercado financeiro e pode provocar efeitos relevantes sobre as varejistas listadas na Bolsa. A discussão, que ganhou força em Brasília nas últimas semanas, envolve mudanças na jornada de trabalho e pode impactar diretamente custos, margens e lucros das empresas do setor.
A análise mais recente da XP Investimentos projeta que, caso a proposta avance sem mecanismos de compensação, o setor pode enfrentar redução média de até 18% no lucro líquido. O tema deve ser levado ao Congresso até maio, com o governo buscando vincular o debate ao Dia do Trabalhador. Ainda não está definido se o texto tramitará como projeto de lei ou como Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Impacto financeiro do fim da escala 6×1 pode chegar a 18% no lucro
O ponto central do debate é o efeito direto nos resultados das companhias.
Segundo estimativas da XP, se houver:
- aumento de 10% nos custos trabalhistas
- e incapacidade de repasse integral aos preços
o impacto médio no setor seria:
- queda de aproximadamente 8% no Ebitda
- redução de até 18% no lucro líquido
O fim da escala 6×1, combinado à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e à manutenção dos salários, tende a elevar o custo por funcionário. Em um setor intensivo em mão de obra, como o varejo físico, isso pode pressionar margens já apertadas.
O efeito será ainda mais sensível em um ambiente de consumo moderado e alta concorrência, no qual reajustes de preços encontram resistência.
Empresas mais expostas ao risco da mudança trabalhista
O impacto do fim da escala 6×1 não será uniforme. Empresas com margens historicamente mais baixas e forte dependência de equipes operacionais tendem a sentir maior pressão.
Entre as varejistas que podem enfrentar cenário mais desafiador estão redes de alimentação e farmácias, como:
- RD Saúde (RADL3)
- Panvel (PNVL3)
- GPA (PCAR3)
Algumas dessas companhias já testam modelos de escala 5×2. No entanto, a redução para 40 horas semanais pode exigir novas contratações ou aumento no pagamento de horas extras, elevando ainda mais os custos fixos.
Empresas mais alavancadas também correm risco adicional, pois a compressão de margens pode dificultar a geração de caixa e o cumprimento de obrigações financeiras.
Quem pode sofrer menos com o fim da escala 6×1
Por outro lado, companhias com presença internacional, maior eficiência operacional ou margens mais robustas devem absorver melhor o impacto.
Entre elas:
- Smart Fit (SMFT3)
- Mercado Livre (BDR: MELI34)
- Vivara (VIVA3)
- Track&Field (TFCO4)
- Vulcabras (VULC3)
- Lojas Renner (LREN3)
Empresas com maior digitalização ou diversificação geográfica podem mitigar melhor os efeitos do aumento de custos no Brasil.
O que está em discussão no Congresso
A proposta associada ao fim da escala 6×1 gira em torno de três eixos principais:
- Migração obrigatória do modelo 6×1 para 5×2
- Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
- Manutenção dos salários atuais, sem compensação automática às empresas
O Congresso avalia se o tema avançará por meio de projeto de lei ou PEC. A escolha do instrumento jurídico é relevante porque define o quórum necessário e o tempo de tramitação.
Parte dos parlamentares defende a renovação da desoneração da folha de pagamentos como forma de aliviar o impacto para as empresas. No entanto, segundo a XP, não há sinalização clara de apoio do governo à medida.
Por que o tema preocupa investidores
O fim da escala 6×1 se tornou um fator de risco adicional para o setor varejista porque afeta diretamente a estrutura de custos.
Para o investidor, o ponto-chave é a capacidade de repasse. Caso as empresas consigam elevar preços sem perder demanda, o impacto tende a ser diluído. Caso contrário, a compressão de margens pode reduzir lucros e afetar avaliações na Bolsa.
Além disso, o debate ocorre em um momento de recuperação gradual do consumo, juros ainda elevados e ambiente competitivo intenso. Esse contexto limita a margem de manobra para reajustes.
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