Fim da escala 6x1 pode cortar até 18% do lucro das varejistas, estima XP

O possível fim da escala 6x1 entrou no radar do mercado após análise da XP Investimentos indicar que a mudança pode reduzir em até 18% o lucro líquido médio das varejistas listadas na Bolsa, caso os custos trabalhistas aumentem 10% sem repasse aos preços.

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Última atualização:  19 de fev, 2026 às 18:38
Fotografia de um protesto de rua em uma grande avenida urbana com prédios altos ao fundo. Manifestantes seguram uma grande faixa preta horizontal com letras brancas em destaque onde se lê: "NÃO À ESCALA 6X1 - Pela vida além do trabalho!". Ao fundo, outras pessoas carregam cartazes menores e bandeiras pretas e vermelhas. O clima é de mobilização social, com foco na pauta de direitos trabalhistas e redução da jornada de trabalho. Foto: Divulgação

O possível fim da escala 6×1 entrou no radar do mercado financeiro e pode provocar efeitos relevantes sobre as varejistas listadas na Bolsa. A discussão, que ganhou força em Brasília nas últimas semanas, envolve mudanças na jornada de trabalho e pode impactar diretamente custos, margens e lucros das empresas do setor.

A análise mais recente da XP Investimentos projeta que, caso a proposta avance sem mecanismos de compensação, o setor pode enfrentar redução média de até 18% no lucro líquido. O tema deve ser levado ao Congresso até maio, com o governo buscando vincular o debate ao Dia do Trabalhador. Ainda não está definido se o texto tramitará como projeto de lei ou como Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Impacto financeiro do fim da escala 6×1 pode chegar a 18% no lucro

O ponto central do debate é o efeito direto nos resultados das companhias.

Segundo estimativas da XP, se houver:

  • aumento de 10% nos custos trabalhistas
  • e incapacidade de repasse integral aos preços

o impacto médio no setor seria:

  • queda de aproximadamente 8% no Ebitda
  • redução de até 18% no lucro líquido

O fim da escala 6×1, combinado à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e à manutenção dos salários, tende a elevar o custo por funcionário. Em um setor intensivo em mão de obra, como o varejo físico, isso pode pressionar margens já apertadas.

O efeito será ainda mais sensível em um ambiente de consumo moderado e alta concorrência, no qual reajustes de preços encontram resistência.

Empresas mais expostas ao risco da mudança trabalhista

O impacto do fim da escala 6×1 não será uniforme. Empresas com margens historicamente mais baixas e forte dependência de equipes operacionais tendem a sentir maior pressão.

Entre as varejistas que podem enfrentar cenário mais desafiador estão redes de alimentação e farmácias, como:

  • RD Saúde (RADL3)
  • Panvel (PNVL3)
  • GPA (PCAR3)

Algumas dessas companhias já testam modelos de escala 5×2. No entanto, a redução para 40 horas semanais pode exigir novas contratações ou aumento no pagamento de horas extras, elevando ainda mais os custos fixos.

Empresas mais alavancadas também correm risco adicional, pois a compressão de margens pode dificultar a geração de caixa e o cumprimento de obrigações financeiras.

Quem pode sofrer menos com o fim da escala 6×1

Por outro lado, companhias com presença internacional, maior eficiência operacional ou margens mais robustas devem absorver melhor o impacto.

Entre elas:

  • Smart Fit (SMFT3)
  • Mercado Livre (BDR: MELI34)
  • Vivara (VIVA3)
  • Track&Field (TFCO4)
  • Vulcabras (VULC3)
  • Lojas Renner (LREN3)

Empresas com maior digitalização ou diversificação geográfica podem mitigar melhor os efeitos do aumento de custos no Brasil.

O que está em discussão no Congresso

A proposta associada ao fim da escala 6×1 gira em torno de três eixos principais:

  1. Migração obrigatória do modelo 6×1 para 5×2
  2. Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
  3. Manutenção dos salários atuais, sem compensação automática às empresas

O Congresso avalia se o tema avançará por meio de projeto de lei ou PEC. A escolha do instrumento jurídico é relevante porque define o quórum necessário e o tempo de tramitação.

Parte dos parlamentares defende a renovação da desoneração da folha de pagamentos como forma de aliviar o impacto para as empresas. No entanto, segundo a XP, não há sinalização clara de apoio do governo à medida.

Por que o tema preocupa investidores

O fim da escala 6×1 se tornou um fator de risco adicional para o setor varejista porque afeta diretamente a estrutura de custos.

Para o investidor, o ponto-chave é a capacidade de repasse. Caso as empresas consigam elevar preços sem perder demanda, o impacto tende a ser diluído. Caso contrário, a compressão de margens pode reduzir lucros e afetar avaliações na Bolsa.

Além disso, o debate ocorre em um momento de recuperação gradual do consumo, juros ainda elevados e ambiente competitivo intenso. Esse contexto limita a margem de manobra para reajustes.

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