Nesta quinta-feira (22), o dólar apresentou alta em relação ao real, enquanto o Ibovespa registrou queda. A movimentação é uma resposta ao comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.

Ao final do pregão, o dólar voltou a subir e fechou em alta de 0,08%, vendido a R$ 4,7717. O Ibovespa, por sua vez, recuou 1,23%, aos 118.934 pontos. 

Embora fosse esperado pelo mercado que a Selic fosse mantida no anúncio de quarta-feira (21), o comunicado trouxe um tom considerado rígido ao avaliar a desinflação no Brasil, sem mencionar a intenção de cortar os juros em agosto, como muitos esperavam no mercado financeiro.

David Beker, chefe de Economia para o Brasil e estratégia para a América Latina do Bank of America, resumiu: “O comunicado é mais um passo na direção de uma postura mais ‘dovish’ do Banco Central em relação ao combate à inflação, ou seja, inclinado a reduzir os juros, mas não é uma promessa de corte na próxima reunião”.

Apesar da surpresa pela falta de indicação de um corte iminente, os operadores continuam atribuindo cerca de 80% de probabilidade de o BC reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual em agosto, de acordo com as probabilidades implícitas nos contratos de juros futuros. Os contratos de opção de Copom também refletem essa expectativa de queda.

Fatores de risco para o dólar

A moeda do Brasil tem potencial para se valorizar devido a taxas de juros mais altas. No entanto, muitos no mercado acreditam que mesmo se o Banco Central começar a reduzir a taxa Selic em um futuro próximo, os juros reais continuarão atrativos para investimentos, especialmente em um contexto de desaceleração da inflação. Isso, por sua vez, tem levado à queda do dólar para os níveis mais baixos em mais de um ano, além de reduzir as preocupações fiscais.

No entanto, alguns operadores expressaram preocupações sobre uma possível escalada nas tensões entre o governo e o Banco Central, o que é motivo de cautela. De fato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a condução da política monetária, afirmando em Roma que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, está prejudicando a economia brasileira.

Cenário externo

Nos mercados internacionais, o índice do dólar em relação a um conjunto de moedas fortes teve um pequeno aumento após o chefe do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, indicar que ainda há espaço para aumentar a taxa de juros nos Estados Unidos. Na semana passada, o Fed optou por manter sua taxa básica, a fim de avaliar os impactos do aperto monetário na economia.

Durante seu testemunho perante parlamentares, Powell mencionou que a perspectiva de mais duas elevações de 0,25 pontos percentuais é uma estimativa razoável.

Equipe MI

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