Copasa (CSMG3) anuncia mudanças em oferta secundária de ações

Companhia informou que operação passará por revisão após manifestação de comitê ligado ao governo de Minas Gerais

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27 de maio, 2026 às 12:32
Prédio da Copasa em Minas Gerais após anúncio de mudanças na oferta secundária de ações da CSMG3. Foto: Divulgação

A Copasa (CSMG3) informou nesta quarta-feira (27) que fará alterações nas condições da oferta pública secundária de ações da companhia, atualmente detidas pelo Estado de Minas Gerais. A operação havia sido protocolada junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no último dia 20 de maio, dentro do rito de registro automático.

Segundo comunicado divulgado ao mercado, as mudanças foram solicitadas pelo acionista vendedor, o governo mineiro, após a identificação de “fatores supervenientes” relacionados à operação.

A revisão ainda dependerá de manifestação do Comitê de Coordenação e Governança de Estatais antes da reapresentação dos documentos oficiais da oferta.

A empresa também informou que um novo cronograma será divulgado após a aprovação das alterações previstas para a operação.

O que muda na oferta da Copasa

A Copasa não detalhou quais pontos específicos da oferta serão alterados. No entanto, confirmou que os ajustes envolvem condições da distribuição secundária das ações ordinárias da companhia.

Nesse tipo de operação, os recursos arrecadados não vão para o caixa da empresa, mas sim para o acionista vendedor. Neste caso, o Estado de Minas Gerais, que pretende reduzir sua participação na companhia.

A expectativa do mercado é de que a oferta esteja relacionada ao processo de desestatização da empresa, tema que vem sendo acompanhado de perto por investidores desde o início de 2026.

Os pontos principais anunciados pela companhia são:

  • Oferta secundária foi protocolada na CVM em 20 de maio de 2026
  • Mudanças foram solicitadas pelo Estado de Minas Gerais
  • Comitê de Governança de Estatais ainda analisará as alterações
  • Novo cronograma da operação será divulgado posteriormente
  • Processo faz parte das discussões sobre desestatização da companhia

Mercado acompanha privatização da companhia

A Copasa é uma das principais empresas de saneamento do país e permanece controlada pelo governo de Minas Gerais.

Nos últimos meses, o mercado passou a acompanhar com mais atenção a possibilidade de privatização da companhia, em linha com movimentos semelhantes realizados em outras empresas estaduais do setor.

A expectativa em torno da operação ganhou força após sucessivos fatos relevantes divulgados pela companhia em 2026 relacionados ao tema. Analistas também acompanham possíveis interessados em assumir participação relevante na empresa.

Entre os nomes frequentemente citados pelo mercado estão grupos privados de saneamento e infraestrutura que buscam ampliar presença no setor após o avanço do Novo Marco do Saneamento.

Resultado financeiro da Copasa no primeiro trimestre

A atualização sobre a oferta de ações acontece poucas semanas após a divulgação dos resultados financeiros da Copasa referentes ao primeiro trimestre de 2026.

No período, a companhia registrou lucro líquido de R$ 368 milhões, resultado 14% menor na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A queda ocorreu apesar do crescimento da receita líquida, que avançou 2,5%, para R$ 1,91 bilhão.

Segundo a empresa, o desempenho foi impactado principalmente pelo aumento das despesas financeiras, que mais que triplicaram no período, além da alta de custos operacionais.

A companhia também informou crescimento da dívida líquida, que chegou a R$ 7,09 bilhões ao final do trimestre. A alavancagem financeira subiu para 2,4 vezes o Ebitda.

Mesmo com o cenário de maior pressão financeira, a Copasa manteve investimentos elevados em infraestrutura e expansão da rede de saneamento, alinhados às metas previstas no Novo Marco do Saneamento Básico.

Revisão tarifária e investimentos seguem no radar

Outro ponto acompanhado pelos investidores é o impacto da revisão tarifária aprovada para o ciclo regulatório de 2026 a 2029.

A revisão trouxe reajuste médio de 6,56% nas tarifas e deve produzir efeitos mais relevantes nos próximos trimestres, segundo avaliações do mercado. A companhia também segue ampliando investimentos em abastecimento de água e coleta de esgoto.

Atualmente, a cobertura de abastecimento de água da Copasa supera 99%, enquanto a cobertura de esgoto está em cerca de 80%, ainda abaixo da meta de universalização prevista até 2033.

Além disso, a empresa mantém política de distribuição de dividendos equivalente a 50% do lucro líquido ajustado. No primeiro trimestre deste ano, foram declarados R$ 178 milhões em juros sobre capital próprio.

Ações CSMG3 seguem no radar do mercado

As ações da Copasa negociadas sob o código CSMG3 continuam entre os papéis acompanhados por investidores interessados no setor de saneamento e em possíveis movimentos de privatização no Brasil.

A combinação entre revisão tarifária, avanço regulatório e expectativa de mudança no controle acionário mantém a companhia no centro das atenções do mercado financeiro.

O novo cronograma da oferta deverá ser divulgado após análise e aprovação das mudanças propostas pelo Comitê de Coordenação e Governança de Estatais.

Acompanhe a editoria de Mercado e Bolsa de Valores para mais notícias sobre CSMG3, privatizações, ações do setor de saneamento e movimentações da Bolsa brasileira.

Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.