Congresso destitui presidente do Peru José Jerí por má conduta quatro meses após tomar posse
Parlamentares aprovam afastamento após denúncias de reuniões secretas
Foto: Paolo Aguilar/EFE/arquivo
O Congresso do Peru destituiu o presidente do Peru José Jerí nesta terça-feira (17), em Lima, após votação que aprovou seu afastamento por má conduta e falta de idoneidade para exercer o cargo. A decisão foi tomada por maioria simples, com 75 votos favoráveis, 24 contrários e três abstenções.
Jerí era presidente interino desde outubro de 2025 e foi alvo de investigações por suposto tráfico de influência. O Parlamento agora deverá eleger um novo presidente do Congresso, que assumirá automaticamente o comando do país até a realização das eleições gerais marcadas para 12 de abril.
Votação e base legal da destituição
A destituição ocorreu por meio de um mecanismo de censura parlamentar. Diferentemente do impeachment tradicional, que exige maioria qualificada, a censura retira o cargo de presidente do Congresso. Posição que, na atual configuração política do Peru, também confere a chefia do Executivo interinamente.
Como Jerí ocupava simultaneamente a presidência do Congresso e da República, a perda do posto no Legislativo resultou automaticamente em sua saída da Presidência.
O mínimo necessário para aprovar a medida era 58 votos, número superado com folga na sessão desta terça. Após o resultado, Jerí declarou que respeitaria a decisão do Parlamento.
Investigações e denúncias
O presidente do Peru José Jerí vinha sendo investigado pelo Ministério Público por suposto tráfico de influência.
As apurações começaram depois da divulgação de reuniões não informadas oficialmente com um empresário chinês que mantém contratos e concessões no país.
As reuniões teriam ocorrido fora da agenda pública e sem comunicação prévia às autoridades competentes.
Além disso, outra investigação foi aberta para apurar possível influência indevida na nomeação de pessoas para cargos no governo.
Jerí negou irregularidades e afirmou publicamente que não cometeu crimes. Ainda assim, a pressão política aumentou nas últimas semanas, com apresentação de moções de censura por diferentes blocos parlamentares.
Instabilidade política prolongada
A destituição de Jerí amplia o cenário de instabilidade institucional no Peru. Nos últimos dez anos, o país teve uma sequência de trocas na Presidência, reflexo de conflitos entre Executivo e Legislativo, fragmentação partidária e sucessivas crises políticas.
Jerí havia assumido o cargo em outubro de 2025, após a destituição de sua antecessora. Como então presidente do Congresso, ele era o primeiro na linha de sucessão e passou a cumprir o restante do mandato, previsto para terminar em julho deste ano.
Desde 2016, o Peru enfrenta embates frequentes entre o Parlamento e o governo central, com presidentes sendo removidos antes de completar o mandato.
Esse ambiente de incerteza política tem impactos diretos na confiança de investidores e na previsibilidade econômica do país.
Próximos passos
Com a saída de Jerí, o Congresso deverá eleger nesta quarta-feira (18) um novo presidente da Casa. Pela Constituição peruana, o ocupante desse cargo assume automaticamente a Presidência da República de forma interina.
O novo chefe de Estado governará até 28 de julho, quando deverá tomar posse o presidente eleito nas eleições gerais marcadas para 12 de abril.
O período de transição ocorre em meio a desafios econômicos e sociais, incluindo preocupações com segurança pública e necessidade de recuperação da confiança institucional.
Analistas apontam que a sucessão rápida e frequente no comando do país pode dificultar a implementação de políticas de médio e longo prazo, afetando o ambiente de negócios e a estabilidade fiscal.
Apesar do cenário turbulento, o calendário eleitoral está mantido. O foco do Congresso agora é garantir a continuidade administrativa e a organização do processo eleitoral, enquanto o país acompanha mais uma mudança no topo do poder.
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