Caso Marielle: Moraes vota por condenar irmãos Brazão como mandantes no STF
O ministro Alexandre de Moraes votou no STF pela condenação de Chiquinho e Domingos Brazão como mandantes do assassinato de Marielle Franco.
Foto: Rosinei Coutinho/STF
O julgamento do Caso Marielle ganhou um novo capítulo nesta semana, com o voto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela condenação dos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco.
Relator da ação penal, Moraes afirmou que as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) são consistentes e demonstram, de forma inequívoca, o papel central dos dois acusados no planejamento do crime. O julgamento ocorre na Primeira Turma da Corte, em Brasília, e ainda depende do voto dos demais ministros do colegiado.
O que foi decidido no Caso Marielle
No voto apresentado, Moraes concluiu que os irmãos Brazão devem ser responsabilizados como mandantes do duplo homicídio de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves.
Segundo o ministro, o conjunto de provas reunido ao longo da investigação — incluindo delações, rastreamento de comunicações e elementos financeiros — sustenta a tese de que o assassinato foi premeditado e articulado para silenciar a atuação política da vereadora.
O Caso Marielle é considerado um dos processos criminais mais emblemáticos da história recente do STF, tanto pela gravidade dos fatos quanto pelo impacto institucional.
Motivação política no Caso Marielle
Motivação política no Caso Marielle, segundo o relator
Ao detalhar os fundamentos do voto, Moraes afirmou que o Caso Marielle teve motivação política. De acordo com a denúncia, os irmãos teriam decidido eliminar a vereadora para impedir que ela continuasse a contrariar interesses ligados à ocupação irregular de terras e à atuação de milícias na zona oeste do Rio de Janeiro.
Marielle, filiada ao PSOL, havia se destacado por denunciar abusos cometidos por grupos paramilitares e por participar de debates sobre segurança pública, inclusive na CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio.
Para o relator, o assassinato foi o desfecho de uma disputa que envolvia interesses econômicos e influência territorial. A execução teria como objetivo interromper a atuação parlamentar considerada prejudicial aos interesses do grupo.
Relação com milícias e estrutura de poder
Outro ponto central do voto foi a suposta ligação direta dos acusados com milícias. Moraes destacou que não se tratava apenas de contato eventual, mas de participação ativa em uma estrutura que combinava poder armado e influência política.
Segundo a acusação, os irmãos exerciam papel estratégico na manutenção de territórios dominados por grupos paramilitares. O controle dessas áreas estaria associado a práticas como grilagem de terras e exploração econômica irregular.
O Caso Marielle, nesse contexto, revela não apenas um crime político, mas também um embate entre representantes eleitos e estruturas paralelas de poder.
Racismo e misoginia como elementos do crime
Em seu voto, Moraes também ressaltou que o Caso Marielle apresenta elementos de discriminação racial e de gênero. Marielle era mulher, negra e oriunda da periferia, e sua trajetória política representava grupos historicamente marginalizados.
Para o ministro, esses fatores reforçam a gravidade simbólica do crime. A eliminação de uma parlamentar com esse perfil teria, segundo o entendimento exposto, impacto que vai além da vítima individual, atingindo a própria representatividade democrática.
O reconhecimento dessas circunstâncias pode influenciar a dosimetria da pena, caso a condenação seja confirmada ao final do julgamento.
Outros acusados no julgamento
Além dos irmãos Brazão, Moraes votou pela condenação de:
- Ronald Pereira, apontado como responsável por monitorar a rotina da vereadora;
- Robson Calixto, acusado de integrar a milícia envolvida no crime.
A denúncia sustenta que houve divisão de tarefas entre os envolvidos, desde a coleta de informações até a execução da ação criminosa.
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