Lula anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

O governo federal anunciou o programa Brasil Soberano 3, que disponibiliza R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas de 25% dos Estados Unidos e pela guerra no Oriente Médio.

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Última atualização:  22 de jul, 2026 às 17:17
Foto do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Imagem: Foto : Ricardo Stuckert/Reprodução via CP.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (22) a liberação de R$ 18,5 bilhões em novas linhas de crédito para empresas impactadas pelas tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.

Batizada de Brasil Soberano 3, a iniciativa amplia o programa de apoio criado pelo governo para reduzir os impactos das restrições comerciais sobre exportadores e setores considerados estratégicos para a economia brasileira.

Como serão distribuídos os recursos

Segundo o governo federal, R$ 13,5 bilhões serão provenientes de recursos não utilizados no programa Brasil Soberano 1 e da renegociação de dívidas rurais. Os outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, os recursos atenderão três grupos prioritários:

  • Empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos;
  • Setores estratégicos da economia, como minerais críticos e fertilizantes;
  • Exportadores que atuam no mercado do Golfo Pérsico.

As novas linhas de financiamento terão taxas diferenciadas de acordo com o perfil da empresa e o objetivo do empréstimo. Segundo o governo:

  • Operações voltadas a minerais críticos terão juros a partir de 3% ao ano;
  • Financiamentos para investimentos terão taxa de 6,5% ao ano;
  • Capital de giro para grandes empresas poderá chegar a 9,8% ao ano.

Além disso, um comitê será responsável por definir cotas destinadas a setores considerados estratégicos para o país.

Governo amplia programa de apoio

Durante a cerimônia em Brasília, Lula também sancionou a legislação que consolida a segunda etapa do programa de socorro às empresas.

A medida libera R$ 15 bilhões adicionais por meio do Brasil Soberano 2, ampliando as linhas de crédito criadas após a primeira rodada de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em 2025.

Para aderir ao programa, as empresas deverão cumprir critérios estabelecidos pelo governo, incluindo a manutenção de parte dos empregos.

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Tarifaço ameaça exportações brasileiras

Segundo estimativas do governo, as novas tarifas americanas colocam em risco cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras. Entre os segmentos mais afetados estão:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Madeira e móveis;
  • Borracha;
  • Pneus;
  • Alimentos.

Produtos como café e carnes permanecem fora da lista de sobretaxas.

Negociações com os EUA continuam

O governo informou que manteve negociações com representantes dos Estados Unidos antes da entrada em vigor das novas tarifas.

Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, houve avanços nas conversas iniciadas após o encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump na Malásia. No entanto, as negociações perderam força nos meses seguintes, quando representantes da Casa Branca passaram a defender mudanças consideradas inegociáveis pelo Brasil, como alterações relacionadas ao Pix e à legislação sobre minerais críticos.

O governo brasileiro afirma ainda que apresentou propostas para responder aos questionamentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), mas não recebeu retorno antes da implementação das tarifas.

Empresas pedem novas medidas

Além das linhas de crédito anunciadas, representantes do setor produtivo solicitaram ao governo novas ações para reduzir os impactos do tarifaço.

Entre os pedidos estão o adiamento, por até 120 dias, do recolhimento de tributos federais para empresas exportadoras e medidas para conter o aumento das importações de produtos chineses no mercado brasileiro.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo continua priorizando a negociação diplomática e declarou que a eventual utilização da Lei de Reciprocidade Econômica não deve ser interpretada como uma retaliação automática aos Estados Unidos.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.