Brasil mantém comércio Brasil-Irã próximo de US$ 3 bilhões em 2025 apesar de ameaça tarifária dos EUA
O comércio Brasil-Irã movimentou quase US$ 3 bilhões em 2025, com forte concentração no agronegócio, especialmente milho e soja.
Imagem gerada por IA/Gemini
O comércio Brasil-Irã movimentou quase US$ 3 bilhões em 2025, mesmo diante do endurecimento do discurso dos Estados Unidos contra países que mantêm relações comerciais com Teerã. O volume reforça a relevância do Irã como parceiro do agronegócio brasileiro e coloca o tema no centro do debate diplomático após o anúncio do presidente americano Donald Trump sobre a imposição de tarifas a esses países.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações brasileiras ao Irã somaram US$ 2,9 bilhões no ano passado, enquanto as importações ficaram em cerca de US$ 84 milhões, resultando em amplo superávit para o Brasil.
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A relevância do comércio Brasil-Irã aumentou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, na última segunda-feira (12), a intenção de impor tarifas de 25% a países que mantenham relações comerciais com o Irã.
Segundo o republicano, a taxa seria aplicada sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos por esses países, com vigência imediata. Até o momento, no entanto, a Casa Branca não divulgou os detalhes formais da medida, nem esclareceu como a cobrança seria operacionalizada.
O anúncio gerou preocupação entre exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, setor que concentra a maior parte das vendas ao país persa. O governo federal informou que aguarda a publicação da ordem executiva americana antes de se manifestar oficialmente.
Irã é destino relevante das exportações brasileiras no Oriente Médio
Apesar de representar apenas 0,84% das exportações totais do Brasil, o Irã ocupa posição de destaque no Oriente Médio. Em 2025, o país foi o quinto principal destino das exportações brasileiras na região, atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita.
No ranking global, o Irã aparece na 31ª colocação, mas superou mercados tradicionais como Suíça, África do Sul e Rússia no volume comprado do Brasil ao longo do ano.
O desempenho reflete tanto a demanda iraniana por alimentos quanto a competitividade do agronegócio brasileiro em mercados fora do eixo tradicional.
Agronegócio domina a pauta do comércio Brasil-Irã
O comércio Brasil-Irã é fortemente concentrado em produtos do agronegócio. Em 2025, milho e soja responderam por 87,2% de todas as exportações brasileiras ao país persa.
O milho foi o principal item da pauta, representando 67,9% do total exportado, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão. A soja apareceu na sequência, com 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões.
Também figuram entre os produtos exportados açúcares e itens de confeitaria, farelo de soja destinado à alimentação animal e petróleo, embora com participação bem menor na balança comercial.
Essa concentração torna o Brasil especialmente sensível a eventuais barreiras comerciais ou sanções indiretas que possam afetar o fluxo de mercadorias.
Importações do Irã são modestas, mas estratégicas
As importações brasileiras provenientes do Irã seguem em patamar reduzido. Em 2025, o Brasil comprou aproximadamente US$ 84 milhões do país do Oriente Médio.
O principal item importado foram adubos e fertilizantes, que corresponderam a cerca de 79% do total, além de frutas, nozes, pistaches e uvas secas. Embora o volume seja pequeno, os fertilizantes são considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro.
Oscilações recentes no comércio bilateral
O fluxo do comércio Brasil-Irã tem apresentado oscilações nos últimos anos. Em 2022, as exportações brasileiras atingiram US$ 4,2 bilhões, o maior valor da série recente.
Em 2023, houve retração significativa, seguida por recuperação gradual em 2024 e novo avanço em 2025. Do lado das importações, as variações foram ainda mais intensas, com quedas acentuadas em 2023 e retomada no ano seguinte.
Diplomacia e cooperação agrícola impulsionam relação
A relação comercial tem sido acompanhada por iniciativas diplomáticas. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou o Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
Na ocasião, os dois países acertaram a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com foco em agilizar pautas técnicas, ampliar o intercâmbio de informações e facilitar o comércio.
O governo iraniano também demonstrou interesse em instalar uma empresa de navegação no Brasil, iniciativa que poderia reduzir custos logísticos e ampliar ainda mais o fluxo do comércio Brasil-Irã. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, bloco do qual o Brasil é membro fundador.
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