PCC tem oito membros condenados por planejar atentado contra Sergio Moro

Oito pessoas ligadas ao PCC foram condenadas por planejarem um atentado contra o senador Sergio Moro, revelado na Operação Sequaz.

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24 de jan, 2025 às 21:30
PCC tem oito membros condenados por planejar atentado contra Sergio Moro PCC tem oito membros condenados por planejar atentado contra Sergio Moro

Oito pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foram condenadas pelo plano de atentado contra o senador e ex-juiz federal Sergio Moro. A operação que revelou o esquema, intitulada Operação Sequaz, resultou em penas de até 14 anos e 9 meses de prisão para os réus. O plano, que visava sequestrar e matar Moro, foi frustrado pela intervenção da Polícia Federal, que impediu a execução do crime.

O Plano do PCC

O atentado planejado pelo PCC contra o ex-juiz federal teve como objetivo principal retaliar as ações de Moro enquanto ministro da Justiça. Durante o período em que ocupou o cargo, Moro tomou medidas que afetaram diretamente a facção, incluindo a proibição de visitas íntimas em presídios federais e a transferência dos líderes do PCC para unidades de segurança máxima. Estas decisões foram vistas como uma ameaça ao poder da facção, motivando o planejamento do ataque.

De acordo com a juíza Sandra Regina Soares, da 9.ª Vara Federal em Curitiba, o plano de atentado não foi um incidente isolado, mas parte de uma estratégia contínua e bem estruturada do PCC. A facção, conhecida por sua organização e coordenação, arquitetou o atentado a partir de uma célula especializada chamada “sintonia restrita”, que é um centro de inteligência do grupo. Essa célula foi responsável por coordenar a vigilância e logística do crime, incluindo a busca por imóveis que poderiam ser usados como cativeiros e o levantamento de dados pessoais de Moro e sua família.

A Polícia Federal atuou rapidamente para interromper a ação criminosa, antes que o plano fosse consumado. Durante a operação, ficou claro que o PCC não havia desistido voluntariamente de seu intento, mas sim que a desistência foi uma reação à intervenção das autoridades. A juíza Sandra Regina Soares ressaltou que, mesmo após o início da operação da PF, os membros do grupo continuaram com a intenção de realizar o crime, o que demonstrou a perseverança e o comprometimento da facção com sua estratégia criminosa.

A Polícia Federal, ao deflagrar a Operação Sequaz, conseguiu evitar a realização de sequestros e assassinatos planejados pelo PCC, que também tinha como alvos outros membros do sistema judiciário, como o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por seu trabalho de investigação contra a facção, e agentes penitenciários.

A motivação do atentado contra Sergio Moro está ligada diretamente às mudanças implementadas por ele durante sua gestão como ministro da Justiça. As medidas contra a facção, como a proibição de visitas íntimas aos detentos e a transferência dos líderes do PCC para prisões de segurança máxima, enfureceram o grupo criminoso e o levaram a planejar represálias violentas.

Além de Moro, outros agentes públicos estavam no radar da facção, com planos de ataques coordenados em diversos estados. O PCC pretendia realizar ações simultâneas envolvendo sequestros, assassinatos e outros crimes, o que demonstra a extensão e a complexidade do plano. A célula “sintonia restrita” foi capaz de reunir informações sobre possíveis alvos e de organizar uma estrutura logística que envolvia o aluguel de imóveis e a compra de carros blindados, tudo com o intuito de garantir a execução do atentado.

Detalhes das condenações

Os oito réus condenados fazem parte da célula do PCC responsável pela logística e execução do plano de atentado. A juíza Sandra Regina Soares detalhou as funções de cada um dos condenados, destacando suas contribuições para o esquema criminoso. Os principais envolvidos e suas responsabilidades foram os seguintes:

  • Claudinei Gomes Carias (“Nei” ou “Carro”): Responsável pela vigilância de Sergio Moro e sua família em Curitiba.
  • Franklin da Silva Correa (“Frank”): Participou ativamente da parte operacional do plano, ajudando a coordenar as ações.
  • Herick da Silva Soares (“Sonata”): Envolvido nas atividades logísticas, incluindo levantamento de dados e aluguel de imóveis.
  • Aline Arndt Ferri: Buscou informações pessoais de Moro e sua família, essencial para o planejamento do sequestro.
  • Cintia Aparecida Pinheiro Melesqui: Procurou imóveis que poderiam servir como cativeiro para o sequestrado.
  • Hemilly Adriane Mathias Abrantes: Auxiliou no registro de um carro blindado em nome de um “laranja”.
  • Aline de Lima Paixão: Companheira de “Nefo”, um dos líderes do grupo.
  • Oscalina Lima Graciote: Ex-companheira de “Nefo”.

Esses membros foram responsabilizados por diversas ações que facilitaram a execução do atentado, como a vigilância, coleta de dados e preparação logística para o sequestro.

O líder do grupo, Janeferson Aparecido Mariano Gomes, conhecido como “Nefo”, foi executado em junho de 2024 na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, no interior de São Paulo. Sua morte é uma consequência da escalada de violência que o PCC enfrentava, especialmente após a intervenção das autoridades e a desarticulação do plano de atentado contra Moro.