Asteroide Bennu pode atingir a Terra? Nasa explica riscos e probabilidade
O asteroide Bennu é considerado o objeto espacial com maior probabilidade de colisão com a Terra nos próximos 150 anos.
Imagem: NASA/ Goddard, University of Arizona/Reprodução
Um estudo conduzido por pesquisadores ligados à Nasa indica que o asteroide Bennu, considerado um dos objetos próximos da Terra mais monitorados pela agência espacial americana, possui uma pequena probabilidade de colidir com o planeta em setembro de 2182.
Com aproximadamente 500 metros de diâmetro, Bennu é acompanhado há anos por cientistas devido à sua órbita relativamente próxima da Terra. Segundo a pesquisa, a chance acumulada de impacto até o ano de 2300 é de aproximadamente uma em 1.750. Entre todas as possibilidades analisadas, a trajetória considerada mais relevante aponta para setembro de 2182, com probabilidade estimada em uma em 2.700.
Apesar dos números chamarem atenção, os especialistas ressaltam que o risco continua sendo bastante baixo e não representa uma ameaça iminente ao planeta.
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Aproximação em 2135 será decisiva
Os pesquisadores destacam que um dos momentos mais importantes para acompanhar Bennu ocorrerá em 2135.
Na ocasião, o asteroide passará relativamente próximo da Terra, e a gravidade do planeta poderá alterar levemente sua trajetória. Dependendo dessa interação, novas projeções serão realizadas para verificar se o risco de colisão aumenta, diminui ou permanece praticamente inalterado.
Por isso, o monitoramento contínuo do objeto é considerado essencial para que futuras gerações possam tomar medidas preventivas caso elas se tornem necessárias.
O que aconteceria em caso de impacto?
Embora o cenário seja considerado improvável, os cientistas analisaram os possíveis efeitos de uma colisão. Segundo os estudos, o impacto liberaria uma quantidade de energia equivalente à de dezenas de bombas nucleares de grande potência, provocando intensa onda de choque, terremotos, incêndios e a formação de uma grande cratera.
Além dos danos na região atingida, enormes volumes de poeira e detritos seriam lançados na atmosfera terrestre. Os pesquisadores avaliam que entre 100 milhões e 400 milhões de toneladas de partículas poderiam permanecer suspensas na atmosfera após um eventual impacto.
Esse material reduziria significativamente a incidência de luz solar, alterando o clima global por vários anos. O fenômeno é conhecido como “inverno de impacto”, caracterizado pela queda das temperaturas, redução das chuvas e prejuízos à fotossíntese.
No cenário mais extremo analisado, a temperatura média do planeta poderia diminuir cerca de 4°C, enquanto a precipitação global sofreria redução próxima de 15%. Os modelos também apontam perdas entre 20% e 30% da fotossíntese das plantas e uma redução de aproximadamente 32% na camada de ozônio, responsável por proteger a Terra da radiação ultravioleta.
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Missões ajudam a entender o asteroide
Bennu já foi alvo de uma das principais missões da Nasa voltadas à defesa planetária. A missão OSIRIS-REx coletou amostras da superfície do asteroide e as trouxe para a Terra, permitindo que pesquisadores estudem sua composição e aprimorem os modelos que calculam sua órbita.
Essas informações ajudam a aumentar a precisão das projeções sobre a trajetória do objeto e também contribuem para o desenvolvimento de tecnologias capazes de desviar asteroides potencialmente perigosos no futuro.
Embora Bennu continue sendo monitorado de perto, os especialistas reforçam que não há motivo para preocupação imediata. O acompanhamento permanente faz parte dos programas internacionais de defesa planetária justamente para identificar, com décadas ou até séculos de antecedência, qualquer mudança significativa na trajetória de objetos próximos da Terra.