Artemis II: Nasa lança missão histórica com astronautas rumo à Lua

A Nasa prepara o lançamento da Artemis II, a primeira missão tripulada a orbitar a Lua desde 1972.

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01 de abr, 2026 às 14:30
Fotografia do foguete Space Launch System (SLS) da missão Artemis no centro de lançamento da NASA. Imagem: Reuters / Brendan Mcdermid

Nesta quarta-feira (1º de abril), a Nasa deve lançar a Artemis II, marcando a primeira missão tripulada a orbitar a Lua em mais de 50 anos. O lançamento está previsto para as 19h24 (horário de Brasília), a partir da plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, dependendo das condições climáticas. A missão levará quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguete SLS, considerado o mais poderoso já construído pela agência espacial americana.

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A Artemis II tem como principal objetivo testar os sistemas da cápsula Orion em espaço profundo, garantindo segurança e eficiência para futuras missões lunares. Diferente da Artemis I, que foi não tripulada, esta missão contará com quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Hammock Koch e o canadense Jeremy Hansen.

Durante cerca de 10 dias, a tripulação realizará um sobrevoo lunar, incluindo a passagem pelo lado oculto da Lua, sem aterrissar na superfície. Essa trajetória aproveita a gravidade da Terra e da Lua para criar uma trajetória de retorno livre, que permite que a cápsula volte ao planeta sem grandes manobras de propulsão.

Além de representar um marco histórico, a missão prepara o caminho para a Artemis III, prevista para não antes de 2027, que levará astronautas à superfície lunar, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar no satélite natural.

O programa Artemis e a nova era da exploração lunar

O programa Artemis, liderado pela Nasa, foi nomeado em referência à deusa grega Artemis, irmã gêmea de Apolo, que batizou as missões originais da década de 1960. O objetivo é estabelecer uma presença humana duradoura na Lua e utilizar o satélite como base para futuras missões a Marte.

A Artemis I, lançada em 2022, foi um voo não tripulado que testou sistemas da Orion. Agora, a Artemis II será o primeiro voo tripulado ao redor da Lua, chegando a cerca de 7.500 km além do satélite natural — distância maior do que qualquer ser humano percorreu nos últimos 50 anos. Futuras missões, como a Artemis III e IV, devem focar em pousos lunares e estadias prolongadas, abrindo caminho para experimentos científicos e exploração contínua da superfície lunar.

Quem são os astronautas da Artemis II

A missão contará com quatro tripulantes experientes, incluindo um canadense e dois astronautas que farão história:

  • Reid Wiseman: comandante da missão, ex-piloto de caça da Marinha dos EUA.
  • Victor Glover: piloto, primeiro homem negro a participar de um voo lunar do programa Artemis.
  • Christina Hammock Koch: especialista de missão, primeira mulher a orbitar a Lua pelo programa Artemis.
  • Jeremy R. Hansen: especialista de missão, coronel da Força Aérea Real Canadense e primeiro canadense em missão lunar.

Todos, exceto Hansen, já participaram de expedições na Estação Espacial Internacional, garantindo experiência em missões espaciais complexas.

Foguete SLS e cápsula Orion: a tecnologia da Artemis II

O foguete SLS possui 98 metros de altura e um empuxo de 4 milhões de kg, equivalente a 14 aviões Boeing 747. Ele é responsável por enviar a cápsula Orion para o espaço profundo. O estágio central se separa após o consumo do combustível, e o estágio superior ICPS leva a Orion em órbita lunar.

A cápsula Orion transporta quatro astronautas e conta com o Módulo de Serviço Europeu (ESM), fornecido pela Agência Espacial Europeia e Airbus, garantindo propulsão, energia elétrica, oxigênio, água e controle térmico. Além disso, possui sistema de escape de emergência para proteger a tripulação durante o lançamento.

Trajetória da missão e marcos históricos

Após o lançamento, a Orion entrará em órbita terrestre por aproximadamente 24 horas, momento em que a tripulação testará controles manuais e sistemas essenciais. A nave sobrevoará a Lua entre 6.400 e 9.600 km acima da superfície, passando pelo lado oculto, onde ficará 30 a 50 minutos sem comunicação com a Terra.

A missão marcará um recorde ao levar os astronautas mais longe da Terra do que qualquer humano desde as missões Apollo, totalizando mais de 2,2 milhões de quilômetros percorridos. Na reentrada, a cápsula enfrentará velocidades de aproximadamente 40.000 km/h e temperaturas de até 3.000°C, culminando na amerissagem no Oceano Pacífico com um sistema avançado de paraquedas.

Segurança e atrasos: cautela máxima

O lançamento da Artemis II passou por diversos ajustes e adiamentos para garantir a segurança da tripulação. Entre os desafios estavam danos no escudo térmico identificados após a Artemis I, vazamentos de hidrogênio e hélio, além de condições climáticas adversas.

A Nasa realizou mais de 100 testes e ajustes, incluindo o Wet Dress Rehearsal, simulando abastecimento, contagem regressiva e procedimentos de emergência. Segundo a agência, a segurança da tripulação é a prioridade máxima.

Pressão internacional e importância geopolítica

A missão também carrega peso diplomático e geopolítico. O programa Artemis envolve colaboração internacional:

  • Canadá: forneceu o braço robótico Canadarm3 e cedeu vaga a Hansen na missão.
  • Europa: contribuiu com o Módulo de Serviço da Orion.
  • Japão: participa com sistemas de suporte à vida e desenvolvimento de rover pressurizado.
  • Emirados Árabes Unidos: fornecem a câmara de ar da futura estação lunar Gateway.

Além disso, a Artemis II simboliza a competição estratégica com China e Rússia, que também planejam missões lunares tripuladas nos próximos anos.