Apple avança e Microsoft cai: mercado passa a cobrar retorno real sobre investimentos em IA
Reação aos balanços sinaliza o fim do “cheque em branco” para gastos bilionários em inteligência artificial
Foto: Reprodução Logos
A reação oposta às ações de Apple e Microsoft após a divulgação dos balanços trimestrais marcou um ponto de inflexão na narrativa da inteligência artificial nos mercados globais. Mesmo com resultados acima das expectativas, a Microsoft perdeu cerca de 10% de valor de mercado, enquanto a Apple avançou mais de 3% no after hours de Nova York, evidenciando uma nova régua de avaliação para o setor.
No caso da Microsoft, o mercado penalizou a leve desaceleração do crescimento do Azure, que avançou 38% em moeda constante, abaixo das projeções mais otimistas, além de um guidance considerado conservador. O Capex recorde, próximo de US$ 37,5 bilhões, voltado a data centers e infraestrutura de IA, aumentou a pressão sobre a empresa, ao levantar dúvidas sobre o ritmo de retorno desses investimentos.
A Apple seguiu caminho distinto ao integrar a inteligência artificial diretamente ao seu ecossistema de produtos e serviços, sem elevar de forma agressiva os gastos de capital. A empresa reduziu o Capex para cerca de US$ 2,3 bilhões no trimestre e manteve forte geração de caixa, impulsionada pelo crescimento do segmento de serviços, que opera com margens superiores a 70%.
Para investidores, o movimento reforça que o mercado deixou de tratar as grandes empresas de tecnologia como um bloco único. Em 2026, a valorização depende menos da promessa tecnológica e mais da capacidade de monetizar a IA com eficiência, disciplina de capital e impacto direto nos resultados.
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