Ações da MBRF caem quase 10% após venda de participação
Queda dos papéis ocorre após venda de 70 milhões de ações pelo fundo Salic, segundo informações de mercado.
Imagem: Forbes/Reprodução (Montagem: MI)
As ações da Marfrig (MBRF3) registravam forte queda nesta quarta-feira (15), recuando cerca de 9,65% por volta das 13h36. O movimento ocorre após a divulgação de que o fundo saudita Salic vendeu uma fatia relevante de papéis da companhia.
De acordo com informações do mercado, a venda envolveu aproximadamente 70 milhões de ações, o que gerou pressão vendedora sobre o ativo. Diferentemente do que se especulava anteriormente, a queda não está relacionada diretamente aos desdobramentos recentes no Oriente Médio ou ao conflito na região.
Mesmo após a operação, o fundo Salic ainda mantém cerca de 11% de participação na companhia. Parte dos recursos obtidos com a venda será destinada ao pagamento da aquisição da Olam Agri, empresa com sede em Singapura. A empresa afirmou que não comentará a movimentação envolvendo o acionista.
Movimentos recentes haviam impulsionado as ações
No início da semana, a Marfrig havia anunciado a ampliação do acordo de fornecimento de carne com o fundo árabe, além de avanços nas aprovações para um possível IPO da Sadia Halal.
Essas notícias impulsionaram os papéis, que chegaram a subir 4,14% na sessão anterior (14), antes da correção observada nesta quarta-feira.
Movimentação do ativo em tempo real:
4T25 acima das expectativas
No mês passado, a MBRF divulgou seus resultados financeiros referentes ao último trimestre de 2025. O balanço aponta um lucro de R$ 91 milhões , montantes que representam uma retração de 91,9% em relação ao desempenho registrado no mesmo intervalo de 2024.
No que diz respeito ao Ebitda ajustado, a companhia registrou R$ 3,41 bilhões entre outubro e dezembro, diminuindo uma queda anual de 9,1%, resultado que se manteve rigorosamente dentro das projeções estipuladas pelos analistas da LSEG.
Por outro lado, a receita líquida da empresa no encerramento de 2025 atingiu o patamar de R$ 43,9 bilhões, dado que superou as expectativas do mercado financeiro para o intervalo. Segundo a Genial Investimentos, desempenho foi impulsionado principalmente por:
- Preços mais elevados na América do Sul
- Aumento de volumes na América do Norte
- Crescimento das operações da Marfrig
Na avaliação da casa, o atual cenário no Oriente Médio pode trazer efeitos mistos para a companhia. Por um lado, preços e volumes mais elevados podem sustentar o desempenho no curto prazo. Por outro, há riscos logísticos relevantes caso as tensões se prolonguem.
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Logística e custos sob monitoramento
A região representa cerca de 5% da receita líquida, mas pode alcançar entre 8% e 10% do EBITDA projetado para 2026, evidenciando sua importância estratégica.
A companhia depende do Estreito de Ormuz como rota logística para o Oriente Médio. Segundo executivos da empresa, o tempo médio de entrega aumentou de 40 para 60 dias, refletindo as restrições recentes.
Apesar disso, a empresa afirma que conseguiu repassar os custos adicionais aos clientes, sem impacto significativo na demanda até o momento.
BTG projeta pressão nos resultados
O BTG Pactual projeta um desempenho mais fraco para a companhia no primeiro trimestre de 2026. As estimativas incluem:
- Receita consolidada: R$ 40 bilhões
- EBITDA: R$ 2,7 bilhões
- Margem: 6,8%
Na divisão Marfrig, a expectativa é de crescimento anual moderado, mas com queda na comparação trimestral, refletindo sazonalidade. Já na operação da BRF, o banco projeta estabilidade na receita, mas compressão de margens.