A Zorzal Inversiones Tecnológicas se prepara para ser a primeira empresa no Uruguai a realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) em quase oito anos. Isso ocorre após a flexibilização das regras pelas autoridades para permitir que pequenas empresas levantem capital mais facilmente.

Com sede em Montevidéu, a companhia planeja vender ações no valor de até 100 milhões de unidades indexadas (UI), aproximadamente US$ 15,4 milhões, nos dias 26 e 27 de junho, que é o valor máximo permitido pelas novas regulamentações. Os fundos levantados serão destinados a investimentos em empresas locais de tecnologia.

Essa venda de ações e outras emissões de títulos acontecem dois anos após as autoridades eliminarem a exigência de que as empresas obtenham classificações de crédito e simplificarem os requisitos de divulgação financeira para acessar os mercados de capitais.

Desde o início de maio, o banco central do Uruguai aprovou dois acordos de títulos no valor de US$ 8,5 milhões e o primeiro título financiado por crowdfunding no país, no valor de US$ 1 milhão, sob regulamentos separados.

“Estabelecemos um valor baixo para atrair investidores: US$ 1 mil”, disse Gabriel Genta, gerente de portfólio da corretora Gletir, que está comprando ações em nome de clientes. “Demos muita publicidade. Estamos confiantes de que será uma emissão bem-sucedida”, complementou.

Regras simplificadas

As novas regras simplificadas fazem parte de um esforço contínuo do Uruguai para desenvolver mercados de capitais mais robustos em um país já conhecido como um porto seguro de investimentos na América do Sul. Montevidéu atrai alguns dos principais bilionários da região, e no ano passado, locais ricos e estrangeiros gerenciaram mais de US$ 37 bilhões no país.

No mês passado, a empresa de construção Ebital SA foi a primeira a utilizar as novas regras, vendendo US$ 6,5 milhões em títulos de cinco anos. Em julho, a Kefordy SA, subsidiária local do distribuidor de eletrônicos Latamly Group, planeja vender até US$ 2 milhões em títulos de 3,5 anos.

“Estou otimista de que essas emissões levarão a mais negócios, desde que nada aconteça que comprometa a confiança”, afirmou Jeronimo Nin, gerente de dinheiro da corretora Nobilis.

O crowdfunding também oferece uma alternativa para levantar fundos, embora as emissões individuais estejam limitadas a cerca de US$ 1,5 milhão. Na semana passada, a empresa de concierge virtual Foxsys lançou um título de US$ 1 milhão com duração de cinco anos na plataforma de crowdfunding Crowder Plataforma de Financiamiento Colectivo, arrecadando mais de US$ 140.000 antes do encerramento em 19 de agosto.

“Atualmente estamos trabalhando em outras duas ofertas”, disse Guillermo Rodriguez, cofundador e CEO da Crowder. “Esperamos que estejam online daqui a cerca de 30 dias.”

Gabryella Mendes

Redatora do Melhor Investimento.