Piso dos professores sobe para R$ 5.130,63 em 2026 após mudança na regra

Medida provisória altera cálculo, garante reajuste acima da inflação e gera debate

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Última atualização:  23 de jan, 2026 às 09:42
Lula aparece ao centro segurando documento assinado, ao lado de autoridades, durante cerimônia oficial em ambiente institucional. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O piso salarial nacional dos professores da educação básica da rede pública será de R$ 5.130,63 em 2026, após a assinatura de uma medida provisória (MP) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (21), em Brasília.

A decisão altera o critério de reajuste do piso, evita um aumento simbólico e garante reposição da inflação com ganho real para a categoria. A nova regra passa a valer já no próximo pagamento e agora segue para análise do Congresso Nacional.

O reajuste será de 5,4% em relação a 2025, quando o piso estava em R$ 4.867,77. Pela regra anterior, o aumento projetado para 2026 seria de apenas 0,37%, o equivalente a cerca de R$ 18, valor considerado insuficiente diante da inflação acumulada de 3,9% no ano passado.

A mudança foi adotada para corrigir a defasagem e adequar o cálculo ao novo modelo de financiamento da educação básica.

Quem tem direito ao novo piso

O valor definido pelo governo federal vale para professores da educação básica da rede pública que cumprem jornada de 40 horas semanais. Estados e municípios não podem pagar salários iniciais abaixo desse patamar, mas podem estabelecer vencimentos maiores conforme suas políticas locais.

Para professores com carga horária diferente, o piso é calculado de forma proporcional. O governo reforça que o valor divulgado representa o mínimo nacional, não um teto salarial.

Por que o governo mudou a regra

A alteração no cálculo foi feita por meio de medida provisória porque o critério anterior estava vinculado à antiga legislação do Fundeb. Esse modelo considerava apenas a variação do Valor Anual por Aluno (VAAF), que teve crescimento muito baixo para 2026.

Como resultado, o reajuste ficaria bem abaixo da inflação, o que representaria perda real de renda para os professores. Para evitar esse cenário, o Ministério da Educação articulou a mudança com entidades do setor e apresentou uma nova fórmula.

Como funciona o novo cálculo do piso

A partir de agora, o reajuste anual do piso passa a considerar dois componentes:

  • 100% da inflação do ano anterior, medida pelo INPC;
  • 50% da média do crescimento real das receitas do Fundeb, apurada nos cinco anos anteriores.

A nova regra também estabelece que o reajuste nunca poderá ser inferior à inflação, criando um piso mínimo de correção e mais previsibilidade para estados, municípios e profissionais da educação.

Segundo o Ministério da Educação, o objetivo é alinhar a Lei do Piso às mudanças trazidas pelo novo Fundeb, que ampliou a participação da União no financiamento da educação básica.

Reação dos professores

Entidades representativas da categoria comemoraram a decisão. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) classificou o reajuste como uma vitória e um avanço na política de valorização do magistério.

A presidente da CNTE, Fátima Silva, destacou que, apesar do aumento, o Brasil ainda está entre os países que pior remuneram seus professores, segundo dados internacionais. Mesmo assim, afirmou que o ganho real representa um passo importante para a carreira docente.

A entidade também ressaltou que o novo critério foi debatido com representantes de gestores estaduais e municipais, o que reforça o caráter negociado da medida.

Preocupação das prefeituras com o impacto fiscal

Por outro lado, entidades municipalistas demonstraram preocupação com os efeitos financeiros da mudança. A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) afirmou apoiar a valorização dos profissionais da educação, mas alertou para as diferenças na capacidade fiscal dos municípios.

Segundo a FNP, cidades com menor arrecadação podem ter dificuldades para absorver o aumento das despesas obrigatórias. A entidade defende que a União amplie a complementação de recursos para garantir o cumprimento do piso sem comprometer serviços essenciais.

Antes da definição do novo valor, a FNP havia enviado um ofício ao presidente Lula solicitando apoio financeiro adicional para municípios mais vulneráveis.

Próximos passos no Congresso

A medida provisória tem validade imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para continuar em vigor. Parlamentares podem manter o texto como está ou propor alterações no critério de reajuste.

Enquanto isso, o novo piso já passa a valer, impactando diretamente os orçamentos públicos e a renda de milhares de professores em todo o país.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.