Patrimônio de Maduro é modesto frente ao único bilionário venezuelano
Com o risco de ter os bens confiscados, Maduro atualmente detém cerca de US$ 3 milhões em fortuna. Muito aquém do patrimônio do homem mais rico associado à Venezuela, segundo informações da Forbes.
Maduro em 2016 ao lado de Cilia Flores e do então Ministro de Comunicação, Ernesto Villegas (Foto: Eneas De Troya/Wkimedia Commons/CC)
Desde que foi capturado pelos Estados Unidos no último sábado (3), o presidente venezuelano Nicolás Maduro enfrenta a possibilidade de ter seus bens confiscados e, talvez, até revertidos à Venezuela.
Contudo, o histórico de situações semelhantes indica que a recuperação desses ativos enfrenta entraves burocráticos severos, podendo levar décadas para se concretizar ou até mesmo nunca ser finalizada.
O dado interessante é que, mesmo entre cenários de apreensão internacional, seu patrimônio pessoal é relativamente pequeno quando comparado ao do maior bilionário associado ao país.
Fortuna estimada de Nicolás Maduro
Embora Maduro tenha prestígio político e tenha ocupado a liderança da Venezuela por anos, sua riqueza pessoal está muito aquém da elite econômica do país. Estimativas da imprensa, com base em informações públicas e declarações oficiais de bens, sugerem que seu patrimônio gira em torno de US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões).
Cilia Flores, a então primeira-dama da Venezuela tem um patrimônio estimado entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões (até cerca de R$ 15 milhões) em bens privados.
Esses números consideram salário declarado e bens registrados, sem contabilizar ativos ocultos ou recursos que possam estar em nome de terceiros, prática comum em esquemas de corrupção e atividades ilícitas. A título de exemplo, Flores já foi alvo de acusações não confirmadas de movimentações financeiras e contas em paraísos fiscais.
Em 2018, enteados de Maduro foram acusados de desviar mais de US$ 180 milhões para contas secretas. Desde 2024, autoridades dos EUA já apreenderam ativos ligados a Maduro avaliados em cerca de US$ 700 milhões, incluindo imóveis de luxo, iates, carros, joias e um haras.
Esses valores, no entanto, refletem itens objeto de investigações, e não um cálculo oficial de riqueza pessoal.
- Leia também:
Juan Carlos Escotet: o venezuelano mais rico do mundo
Em contraste marcante, o banqueiro Juan Carlos Escotet, fundador do grupo financeiro Banesco, aparece como o único bilionário associado à Venezuela. Segundo estimativas da Forbes, Escotet tem um patrimônio estimado em US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) — mais de 2.400 vezes maior do que a soma atribuída a Maduro.
Escotet, que também detém significativa participação em operações bancárias internacionais, figura como a pessoa com a maior fortuna relacionada ao país. No ranking global, ele ocupa a 519ª posição entre os maiores bilionários do planeta.
Apesar de residir e administrar grande parte de seus negócios no exterior, Escotet é nascido em Caracas, capital da Venezuela. Mais adiante, conheça um pouco mais sobre a história do bilionário.
Quem é Juan Carlos Escotet?

Juan Carlos Escotet Rodríguez é um banqueiro hispano-venezuelano que construiu sua fortuna no setor financeiro. Sua trajetória é um tanto peculiar, e se distancia daquelas habituais histórias de grandes bilionários. Veja alguns pontos interessantes sobre sua vida e carreira.
- Começou a carreira, ainda aos 17 anos, trabalhando como Office boy no Banco enquanto estudava;
- Ele fundou sua própria corretora em 1986, que, em 2001, se fundiu ao Banco Union. Esse mesmo onde havia começado a trabalhar na adolescência;
- Posteriormente, em 2012, pelo valor de US$ 90 milhões (cerca de R$ 483 milhões), Escotet comprou o Banco Echevarría, um dos mais tradicionais da Espanha. Menos de um ano depois comprou seu concorrente Abanca por US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,98 bilhões)
- Escotet é formado e Economia e ainda possui mestrado na área;
- Há anos residindo na Espanha, e de perfil discreto, ele é casado e possui quatro filhos;
- Atualmente, é o único venezuelano que pode ser chamado de bilionário, e, curiosamente não tem nenhuma ligação com o petróleo, principal motor da economia da Venezuela.
Com presença em múltiplos países — incluindo Estados Unidos, Panamá, Espanha e outros mercados latino-americanos — Escotet transformou o Banesco em um dos maiores grupos financeiros da região.
Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: