Haddad nega risco fiscal em 2027 e promete superávit no Orçamento de 2026

Ministro afirma que contas públicas estão sob controle e que governo Lula apresentará superávit no próximo ano

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06 de nov, 2025 às 12:30
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de terno azul-marinho e gravata rosa com padrão, fala em um púlpito com microfones duplos, gesticulando com as mãos abertas. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou que o país enfrente um risco fiscal em 2027, contrariando projeções de economistas e analistas do mercado financeiro que apontam para um possível desequilíbrio nas contas públicas nos próximos anos. Em entrevista ao portal UOL, o ministro garantiu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá a trajetória de responsabilidade fiscal e apresentará um Orçamento com superávit primário em 2026, conforme as metas estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Segundo Haddad, a situação fiscal brasileira está sob controle e as medidas implementadas desde o início da atual gestão foram planejadas para assegurar estabilidade econômica de longo prazo. “O fiscal não vai explodir em 2027, como não explodiu quando fizemos a PEC da Transição”, afirmou o ministro. Ele comparou a condução da política econômica a uma corrida de alta performance: “É como se as pessoas dissessem: ‘se continuar nessa trajetória vai bater no muro’. Mas não é assim. Tem um piloto ali. Estamos numa pista de Fórmula 1, fazendo as curvas e tangenciando”.

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Governo aposta em superávit e disciplina fiscal para 2026

Haddad explicou que o Orçamento de 2026, atualmente em fase final de elaboração pela equipe econômica, seguirá a meta de superávit primário, o que significa que as receitas do governo devem superar as despesas, sem contar o pagamento de juros da dívida pública. A proposta será encaminhada ao Congresso Nacional nas próximas semanas e, segundo o ministro, refletirá o compromisso do governo Lula com a sustentabilidade das contas públicas.

Desde o início do mandato, o Ministério da Fazenda vem adotando uma série de medidas para recompor receitas e conter o avanço das despesas. Entre elas, estão ações de combate à sonegação fiscal, revisão de incentivos tributários e reformas estruturais, como a reforma tributária, que está em tramitação no Legislativo.

Essas medidas visam garantir previsibilidade e credibilidade à política fiscal, criando um ambiente mais favorável ao investimento privado e ao crescimento econômico. Haddad destacou que o equilíbrio das contas públicas é essencial para manter a confiança do mercado e reforçar o ciclo de expansão da economia.

“O país precisa crescer com responsabilidade. Estamos ajustando as contas de forma sustentável, sem sacrificar o investimento público nem as políticas sociais”, disse o ministro.

Debate sobre o risco fiscal em 2027

O debate sobre o risco fiscal em 2027 surgiu entre economistas e consultorias financeiras que avaliam que, a partir desse ano, parte das medidas de compensação de receitas adotadas pelo governo perderá validade, o que poderia pressionar o orçamento. Além disso, o aumento de despesas obrigatórias — como previdência e pessoal — tende a exigir um esforço adicional de controle e planejamento.

Haddad, porém, rebate essas projeções, argumentando que as reformas estruturais em andamento e o crescimento econômico esperado para os próximos anos trarão novas fontes de arrecadação. O ministro acredita que a combinação de ajustes fiscais, eficiência na gestão pública e aumento da base tributária criará um cenário de equilíbrio fiscal duradouro.

O arcabouço fiscal, aprovado pelo Congresso em 2023, também é apontado pelo governo como uma ferramenta essencial para garantir o controle das despesas. Diferente do antigo teto de gastos, o novo modelo permite que as despesas cresçam de forma limitada, acompanhando a evolução das receitas. Essa flexibilidade, segundo Haddad, é fundamental para assegurar uma política fiscal realista e eficiente.

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