EUA e Irã encerram negociações após 21 horas sem acordo

As delegações discutiram programa nuclear iraniano, controle do Estreito de Ormuz e fim da guerra, mas divergências impediram consenso.

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Última atualização:  12 de abr, 2026 às 17:51
Bandeiras dos EUA e do Irã simbolizando relações políticas Imagem: Envato Elements.

As delegações do Irã e dos Estados Unidos encerraram neste sábado uma rodada de negociações em Islamabad, no Paquistão, sem alcançar um acordo de paz após cerca de 21 horas de discussões.

Ao deixar o encontro, o vice-presidente americano JD Vance afirmou que a delegação iraniana decidiu não aceitar as condições apresentadas por Washington.

“Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não vão criar uma arma nuclear e que não vão buscar ferramentas que permitam o desenvolvimento rápido dessa arma. Esse é o objetivo central do presidente dos EUA”, declarou Vance antes de retornar a Washington.

Irã defende programa nuclear para fins pacíficos

A delegação iraniana reiterou que o país pretende manter seu programa nuclear com finalidade civil, acusando os Estados Unidos de utilizarem o tema como justificativa para pressionar por mudanças políticas internas.

O chefe do Parlamento iraniano, Mohammad‑Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã, afirmou que houve disposição para dialogar, mas destacou a falta de confiança entre as partes.

Segundo ele, experiências anteriores envolvendo ataques dos EUA e de Israel contribuíram para a desconfiança nas negociações.

“Apresentamos iniciativas promissoras, mas o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada”, afirmou Ghalibaf em uma rede social. O líder iraniano acrescentou que o país continuará defendendo suas posições após semanas de conflito.

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Estreito de Ormuz segue como ponto central do impasse

Entre os principais temas discutidos estavam o controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, possíveis indenizações de guerra, o levantamento de sanções internacionais e o fim do conflito na região.

A rota marítima é considerada uma das mais estratégicas do mundo, já que cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pela região.

O Irã fechou o estreito após ataques realizados por Estados Unidos e Israel no final de fevereiro, medida que gerou forte impacto nos mercados globais de energia.

Trump volta a ameaçar bloqueio naval

Após o fracasso das negociações, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a adotar um tom duro em relação ao Irã.

Segundo Trump, a United States Navy foi instruída a impedir a passagem de embarcações que paguem pedágio ao Irã para atravessar o Estreito de Ormuz.

“Também instruí nossa Marinha a interceptar embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura”, afirmou o presidente.

Ele também disse que forças americanas começarão a remover minas marítimas que teriam sido instaladas na região.

Divergências devem prolongar negociações

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a complexidade dos temas discutidos torna natural a ausência de um acordo imediato.

Segundo ele, divergências persistiram principalmente em relação ao Estreito de Ormuz e às questões regionais.

“Era natural que tais questões não pudessem ser resolvidas em quase 24 horas de negociações”, afirmou Baqaei à agência estatal iraniana.

Apesar do impasse, diplomatas indicam que novas rodadas de negociação poderão ocorrer nas próximas semanas.

Com informações de Agência Brasil.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.