Crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3): destruição de valor e decisões estratégicas

A crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) ganhou destaque após a gestora apontar uma das maiores destruições de valor do mercado brasileiro, com queda de cerca de 85% desde o IPO.

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02 de abr, 2026 às 16:00
Representação de uma unidade de pronto atendimento da Hapvida. Imagem: Reprodução / Facebook Hapvida

O principal ponto levantado na crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) é o desempenho das ações desde o IPO, realizado em 2018. Segundo a gestora, os papéis acumulam queda de aproximadamente 85% no período, enquanto o Ibovespa registrou valorização próxima de 120%.

Na avaliação da Squadra, essa diferença expressiva reflete uma sequência de decisões equivocadas envolvendo estratégia, operação, alocação de capital e governança. A gestora destaca que tais fatores foram determinantes para a perda significativa de valor da companhia ao longo dos últimos anos.

Entre os principais pontos criticados está a fusão com a NotreDame Intermédica, concluída há cerca de quatro anos. De acordo com a carta, a integração dos ativos foi mal executada, resultando em uma destruição estimada de R$ 80 bilhões em valor de mercado.

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Outro aspecto central da crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) envolve a deterioração dos resultados financeiros recentes. A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões no quarto trimestre de 2025, uma queda de 64,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 1,23 bilhão, representando recuo de 32,3%. Para a gestora, esses números evidenciam dificuldades operacionais, mesmo em um cenário de recuperação do setor de saúde suplementar.

Além disso, a carta aponta o aumento da alavancagem financeira como fator de preocupação. O impacto já pode ser observado no mercado de crédito, com debêntures da companhia sendo negociadas a taxas superiores a CDI + 9% ao ano, refletindo maior percepção de risco por parte dos investidores.

Governança sob questionamento e remuneração elevada

A crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) também se concentra em aspectos de governança corporativa. A gestora menciona a reapresentação de demonstrações financeiras e o reconhecimento tardio de passivos regulatórios como sinais de fragilidade nos controles internos.

Outro ponto sensível é a remuneração da alta administração. Segundo o documento, o CEO Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima recebeu cerca de R$ 110 milhões entre 2023 e 2024, mesmo em um período marcado por forte queda no valor das ações.

A Squadra também critica o modelo de remuneração do conselho de administração. De acordo com a carta, o colegiado recebeu 94% do bônus previsto no período, apesar do desempenho negativo da companhia, o que levanta questionamentos sobre o alinhamento de interesses com os acionistas.

Perda de clientes e decisões de capital contestadas

A gestora ainda destaca a perda de competitividade da Hapvida em regiões estratégicas. Dados mostram redução de 238 mil beneficiários nas regiões Sudeste e Sul em 2025, enquanto o mercado como um todo cresceu, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Além disso, a crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) inclui questionamentos sobre a recompra de ações realizada recentemente. A empresa utilizou cerca de R$ 384 milhões em caixa para adquirir papéis próprios, mesmo diante de um cenário de alta alavancagem — decisão considerada inadequada pela gestora.

Propostas: simplificação e mudança no conselho

Apesar do tom duro, a carta não se limita às críticas. A Squadra propõe uma reavaliação estratégica do negócio, com foco na simplificação operacional. Entre as sugestões está a possibilidade de desinvestimento em ativos das regiões Sudeste e Sul, com o objetivo de reduzir a dívida e concentrar esforços nas operações mais rentáveis.

Outro ponto central é a defesa da adoção do voto múltiplo na próxima assembleia, o que permitiria maior representatividade dos acionistas minoritários no conselho de administração.

A gestora também indicou três nomes para o colegiado, argumentando que a empresa precisa de maior independência, capacidade técnica e alinhamento com os interesses dos investidores.

Disputa deve ganhar força até assembleia

A crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) intensifica a pressão sobre a companhia em um momento decisivo. A assembleia marcada para 30 de abril será determinante para avaliar possíveis mudanças na governança e na condução estratégica da empresa.

O embate entre a gestora e a administração da Hapvida deve seguir no radar do mercado nas próximas semanas, especialmente diante do histórico da Squadra em casos relevantes no mercado brasileiro.

Para investidores, o desfecho dessa disputa pode representar um ponto de inflexão importante para o futuro da companhia e para o desempenho das ações HAPV3.

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