Brasil precisa redobrar atenção com contas externas, alerta Goldman Sachs

O Brasil precisa redobrar atenção com contas externas, segundo alerta do Goldman Sachs. O banco destacou que o déficit em conta corrente, que alcançou 2,9% do PIB no acumulado em 12 meses até janeiro de 2026, exige monitoramento para evitar aumento da vulnerabilidade externa.

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Última atualização:  27 de fev, 2026 às 14:00
Fachada de um edifício moderno com o logotipo da Goldman Sachs em destaque na frente de vidro refletor, simbolizando finanças e investimentos. Foto: Divulgação

O Brasil precisa redobrar atenção com contas externas, segundo avaliação do Goldman Sachs. Em relatório recente divulgado nesta semana, o banco apontou que o país está entre os emergentes que exigem monitoramento mais cuidadoso do déficit em conta corrente para evitar deterioração da posição externa no longo prazo. O alerta surge em meio à decisão do governo de elevar o imposto de importação sobre mais de mil produtos, medida que também foi justificada como forma de melhorar o equilíbrio externo.

A análise considera dados mais recentes do balanço de pagamentos e projeta um ambiente internacional mais desafiador, com ampliação dos desequilíbrios globais. O diagnóstico reforça que, embora o Brasil não esteja em situação de crise, o espaço para déficits elevados é limitado.

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Alerta central: Brasil precisa redobrar atenção com contas externas

O relatório do Goldman destaca que o Brasil precisa redobrar atenção com contas externas porque déficits sucessivos podem ampliar a vulnerabilidade do país a choques externos. A avaliação parte do conceito de conta corrente sustentável — aquela capaz de estabilizar a posição líquida de ativos externos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Em termos práticos, quando o país registra déficits recorrentes, precisa financiar essa diferença com entrada de capital estrangeiro. Caso o fluxo diminua ou se torne mais caro, o risco aumenta. Por isso, o banco afirma que o Brasil deve manter déficits moderados e evitar deterioração estrutural da sua posição externa.

Indicador-chave: NIIP mede o grau de vulnerabilidade

Para embasar o diagnóstico, o Goldman utiliza a chamada Posição Internacional de Investimentos Líquida (NIIP, na sigla em inglês). Esse indicador mede a diferença entre os ativos que o país possui no exterior e os passivos detidos por estrangeiros no Brasil.

Uma NIIP muito negativa indica que o país deve mais ao exterior do que possui em ativos internacionais, o que amplia a sensibilidade a mudanças nas condições financeiras globais. Segundo o banco, a conta corrente sustentável é aquela que impede que essa posição se deteriore continuamente como proporção do PIB.

Assim, quando o Brasil registra déficits elevados por um período prolongado, a tendência é de aumento da dívida externa líquida em relação ao tamanho da economia.

Dados recentes reforçam necessidade de monitoramento

Em janeiro de 2026, o Brasil registrou déficit em conta corrente de aproximadamente US$ 8,4 bilhões. No acumulado em 12 meses até janeiro, o saldo negativo ficou em torno de 2,9% do PIB.

Embora o percentual esteja alinhado a níveis observados nos últimos anos, o número é considerado relevante no contexto de maior incerteza global. O resultado recente combina fatores como:

  • Desempenho mais fraco das exportações em alguns meses
  • Déficit estrutural na conta de serviços
  • Pagamentos de juros e remessas de lucros ao exterior

Por outro lado, o ingresso de investimento estrangeiro direto tem ajudado a financiar o desequilíbrio, reduzindo o risco imediato. Ainda assim, o relatório reforça que o Brasil precisa redobrar atenção com contas externas para evitar pressões adicionais sobre o câmbio e os custos de financiamento.

Governo reage com aumento do imposto de importação

Nesta semana, o governo anunciou a elevação do imposto de importação sobre mais de mil itens. A decisão foi tomada em Brasília e teve como uma das justificativas o fortalecimento das contas externas.

A lógica é simples: ao encarecer produtos importados, a medida tende a reduzir a demanda por bens estrangeiros, diminuindo a saída de dólares do país. Além disso, busca proteger setores industriais nacionais.

A iniciativa ocorre em um momento em que o Brasil precisa redobrar atenção com contas externas e sinaliza preocupação oficial com o equilíbrio do balanço de pagamentos.

Brasil entre emergentes que exigem cautela

O Goldman Sachs avalia que, de forma geral, os mercados emergentes estão em situação mais sólida do que em crises passadas, como as das décadas de 1990 e 2000. Muitos países conseguiram melhorar suas posições externas e reduzir vulnerabilidades.

No entanto, o Brasil aparece entre os casos que demandam maior atenção, ao lado de Ucrânia, Romênia e Egito. Esses países apresentam desequilíbrios considerados mais custosos de financiar em ambientes de juros globais elevados e maior seletividade do capital internacional.

Isso não significa crise iminente, mas indica menor margem de manobra em comparação com economias emergentes que possuem superávits ou déficits mais baixos.

Cenário global pode ampliar pressões

O relatório também aponta que os desequilíbrios globais tendem a crescer, principalmente com a ampliação do superávit em conta corrente da China. Esse movimento pode aumentar a competição por fluxos de capital e tornar o ambiente externo mais desafiador para países deficitários.

Nesse contexto, o Brasil precisa redobrar atenção com contas externas para preservar a confiança dos investidores e evitar deterioração gradual da sua posição internacional.

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