AstraZeneca descarta cortes de pessoal com IA e aposta em produtividade, diz CFO

A AstraZeneca afirmou que não espera que o avanço da inteligência artificial resulte em cortes de pessoal.

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27 de jul, 2026 às 15:30
Fotografia focada em um frasco de vacina contra a COVID-19 da marca AstraZeneca, contendo tampa vermelha e rótulo com a inscrição '5 ml'. O frasco está sobre uma prateleira vazada de refrigerador e, ao fundo, aparece a caixa do medicamento. Foto: Bloomberg/Alex Kraus

A AstraZeneca afirmou que a inteligência artificial (IA) não deve provocar cortes de pessoal em suas operações, mesmo com a ampliação do uso da tecnologia. A avaliação foi feita pela diretora financeira da companhia, Aradhana Sarin, nesta segunda-feira (27), em Londres, após a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre, que superaram as expectativas do mercado. Segundo a executiva, o forte ritmo de crescimento da farmacêutica permite que a IA seja utilizada para aumentar a eficiência e apoiar os colaboradores, em vez de reduzir o quadro de funcionários.

AstraZeneca afirma que inteligência artificial deve aumentar a produtividade

Durante a apresentação dos resultados trimestrais, Aradhana Sarin explicou que a expansão dos negócios da AstraZeneca reduz a perspectiva de que a adoção da inteligência artificial resulte em demissões. Para a executiva, a companhia continua criando oportunidades de crescimento, o que faz com que a tecnologia seja empregada para melhorar processos internos e ampliar a capacidade das equipes.

A declaração ocorre em um momento em que empresas de diversos setores intensificam os investimentos em ferramentas baseadas em inteligência artificial, ao mesmo tempo em que cresce o debate sobre os possíveis impactos dessas soluções no mercado de trabalho.

Na avaliação da diretora financeira, a realidade da farmacêutica é diferente desse cenário mais pessimista. Com o crescimento contínuo da empresa e a necessidade de desenvolver novos medicamentos, ampliar pesquisas e fortalecer sua operação global, a IA é vista como um recurso complementar ao trabalho humano.

CEO diz que preocupação com perda de empregos é exagerada

O posicionamento da diretora financeira foi reforçado pelo presidente-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot. Durante o evento, o executivo afirmou que considera exageradas as previsões de que a inteligência artificial substituirá trabalhadores em larga escala.

Segundo Soriot, a tecnologia tem potencial para elevar significativamente a produtividade dos profissionais, permitindo que eles realizem mais atividades e entreguem resultados de melhor qualidade.

Na visão do executivo, a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta capaz de apoiar as equipes em tarefas operacionais, repetitivas e de análise de dados, liberando tempo para atividades estratégicas e de maior valor agregado.

A avaliação acompanha a estratégia adotada por diversas empresas globais, que buscam integrar sistemas de IA aos processos internos sem, necessariamente, reduzir seus quadros de funcionários.

Crescimento da AstraZeneca impulsiona investimentos em tecnologia

O anúncio foi feito logo após a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre, período em que a AstraZeneca registrou desempenho superior ao esperado pelos analistas.

Embora os números positivos tenham sido o foco da apresentação aos investidores, o debate sobre inteligência artificial ganhou espaço durante a coletiva, refletindo uma das principais discussões atuais do ambiente corporativo.

Para a empresa, o crescimento sustentável do negócio cria condições para que os ganhos de eficiência proporcionados pela IA sejam absorvidos pelo aumento das operações, da demanda por pesquisas e pelo desenvolvimento de novos tratamentos.

Esse cenário reduz a necessidade de utilizar a automação como instrumento de redução de custos por meio de demissões, estratégia adotada por algumas companhias de tecnologia nos últimos anos.

Inteligência artificial transforma o setor farmacêutico

A indústria farmacêutica está entre os segmentos que mais ampliam o uso da inteligência artificial em diferentes etapas da cadeia produtiva.

Atualmente, sistemas baseados em IA são utilizados para acelerar a descoberta de novos medicamentos, analisar grandes volumes de dados clínicos, identificar possíveis moléculas para tratamentos, otimizar processos produtivos e apoiar decisões estratégicas.

Além disso, ferramentas de inteligência artificial vêm sendo incorporadas em áreas administrativas, atendimento ao cliente, logística e gestão de documentos, permitindo maior eficiência operacional.

Para especialistas do setor, a tendência é que a tecnologia continue evoluindo e seja cada vez mais integrada às atividades das empresas. No entanto, o impacto sobre o emprego pode variar conforme o modelo de negócios de cada organização.

No caso da AstraZeneca, a direção da companhia acredita que a expansão dos investimentos em inovação e pesquisa cria um ambiente favorável para que a inteligência artificial complemente o trabalho das equipes, em vez de substituí-las.

Debate sobre IA e empregos continua no mercado

O avanço da inteligência artificial continua sendo um dos temas centrais nas discussões sobre o futuro do trabalho. Enquanto algumas empresas anunciaram reestruturações acompanhadas da adoção de novas tecnologias, outras defendem que a IA representa uma oportunidade para aumentar a produtividade e criar novas funções.

A posição da AstraZeneca reforça essa segunda visão. Para a farmacêutica, o crescimento da companhia e a necessidade constante de inovação tornam a inteligência artificial uma aliada na busca por maior eficiência, qualidade e velocidade no desenvolvimento de soluções para o setor de saúde.

Com isso, a empresa sinaliza que pretende continuar ampliando o uso da tecnologia sem que isso represente, neste momento, uma expectativa de cortes diretos de pessoal, apostando na combinação entre inovação tecnológica e capital humano para sustentar sua estratégia de crescimento.