Pé-de-Meia gringo pode render US$ 8,5 mil para estudantes

Nova York avalia ampliar o programa NYC Kids Rise, iniciativa que cria contas de investimento para estudantes da rede pública.

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Última atualização:  09 de jun, 2026 às 10:29
A bandeira dos Estados Unidos hasteada e ondulando ao vento sob um céu dinâmico. O fundo mostra nuvens dispersas iluminadas pelos tons quentes de um pôr do sol dourado e azul. Foto: Stock Adobe

O Pé-de-Meia gringo pode ganhar uma nova dimensão em Nova York. A Câmara Municipal da maior cidade dos Estados Unidos está analisando uma proposta para ampliar o programa NYC Kids Rise, iniciativa que cria contas de investimento para estudantes e busca fortalecer o acesso à educação superior desde os primeiros anos de vida. O projeto prevê depósitos de até US$ 3 mil para crianças de famílias de baixa renda matriculadas na pré-escola pública.

A proposta foi apresentada neste mês e ainda depende de aprovação política e orçamentária. Caso avance, a medida poderá beneficiar milhares de famílias e ampliar significativamente os recursos disponíveis para a formação educacional das futuras gerações.

A iniciativa tem chamado atenção por sua semelhança com o programa brasileiro Pé-de-Meia, embora utilize uma estratégia diferente para incentivar a permanência nos estudos e reduzir desigualdades sociais.

Leia sobre o pé-de-Meia brasileiro:

Pé-de-Meia gringo prevê depósitos automáticos para crianças

A principal mudança proposta para o NYC Kids Rise é o aumento do valor inicial depositado nas contas dos estudantes. Atualmente, cada criança participante recebe US$ 100 ao ingressar no programa. Pela nova proposta, famílias de baixa renda poderiam receber um aporte único de até US$ 3 mil.

Para outros estudantes elegíveis, o valor inicial seria de US$ 1 mil. As contas seriam abertas automaticamente, sem necessidade de solicitação por parte dos responsáveis.

O objetivo é garantir que os recursos comecem a render ao longo dos anos, criando uma reserva financeira destinada à educação superior quando o estudante atingir a idade adequada.

Como funciona o Pé-de-Meia gringo de Nova York

Diferentemente de programas que realizam pagamentos frequentes, o modelo do Pé-de-Meia gringo funciona por meio de um único depósito inicial.

Após o aporte, o dinheiro permanece investido por vários anos e pode se valorizar conforme os rendimentos financeiros acumulados no período. Além disso, familiares, empresas, organizações comunitárias e doadores podem realizar contribuições adicionais para aumentar o patrimônio do estudante.

De acordo com estimativas divulgadas pela administração municipal, um depósito inicial de US$ 3 mil poderia alcançar cerca de US$ 8,5 mil até o momento em que o jovem ingressasse no ensino superior, mesmo sem novos aportes ao longo da trajetória.

A proposta busca criar uma cultura de planejamento financeiro e ampliar as oportunidades educacionais para crianças de famílias com menor poder aquisitivo.

Programa já reúne centenas de milhares de estudantes

O NYC Kids Rise começou como um projeto-piloto em 2017 e foi expandido gradualmente para toda a rede pública de ensino da cidade.

Atualmente, mais de 380 mil crianças participam da iniciativa. Juntas, elas acumulam mais de US$ 85 milhões em ativos destinados à educação.

Os responsáveis pelo programa afirmam que a criação antecipada de patrimônio educacional pode aumentar as expectativas acadêmicas das famílias e incentivar a continuidade dos estudos até o ensino superior.

A estratégia também busca reduzir barreiras financeiras que frequentemente dificultam o acesso à universidade para estudantes de baixa renda.

Semelhanças e diferenças entre o Pé-de-Meia gringo e o programa brasileiro

Embora sejam frequentemente comparados, os dois programas possuem estruturas distintas.

O programa brasileiro Pé-de-Meia realiza depósitos periódicos para estudantes do ensino médio da rede pública que atendem critérios como frequência escolar e conclusão das etapas de ensino. O objetivo é combater a evasão escolar e incentivar a permanência dos jovens na sala de aula.

Já o Pé-de-Meia gringo concentra os recursos logo na primeira infância. Em vez de pagamentos recorrentes, o dinheiro permanece investido durante anos, permitindo a formação de um patrimônio que poderá ser utilizado posteriormente para fins educacionais.

Apesar das diferenças operacionais, ambas as iniciativas compartilham uma meta comum: reduzir desigualdades educacionais e ampliar oportunidades para estudantes de famílias de menor renda.

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Ampliação exigirá aumento significativo de recursos

A expansão do programa exigirá um aumento relevante nos investimentos da cidade.

Segundo estimativas apresentadas durante as discussões, o custo anual do NYC Kids Rise passaria dos atuais US$ 12,7 milhões para aproximadamente US$ 180 milhões.

Mesmo assim, defensores da proposta argumentam que o valor representa apenas uma pequena parcela do orçamento municipal de Nova York, estimado em cerca de US$ 125 bilhões.

A presidente da Câmara Municipal, Julie Menin, defende que o investimento pode contribuir para reduzir desigualdades econômicas e ampliar o acesso ao ensino superior para milhares de jovens.

Aprovação ainda depende da prefeitura

Apesar do apoio de parte dos vereadores, o projeto ainda não está garantido.

A proposta precisa receber o aval do prefeito Zohran Mamdani e ser incorporada ao orçamento oficial da cidade. As negociações entre a prefeitura e a Câmara Municipal continuam em andamento.

Caso seja aprovada, a ampliação poderá transformar o NYC Kids Rise em um dos maiores programas de formação de patrimônio educacional dos Estados Unidos, reforçando o modelo que vem sendo apelidado de Pé-de-Meia gringo e ampliando o debate internacional sobre formas de incentivar a educação desde a infância.